Terapia hormonal na menopausa: como ela pode melhorar a qualidade de vida

Isabelle Macedo Cabral

Terapia hormonal na menopausa: como ela pode melhorar a qualidade de vida

A chegada da menopausa é um marco natural na trajetória da mulher, geralmente por volta dos 50 anos, mas os anos que a antecedem e a sucedem podem trazer desconfortos significativos. Ondas de calor intensas, suores noturnos, insônia, ressecamento vaginal e alterações de humor são apenas alguns dos sintomas que afetam o bem-estar e a qualidade de vida de muitas mulheres durante o climatério. 

Para aliviar esses incômodos, a terapia hormonal (TH) surge como uma das estratégias mais eficazes. Mas como ela funciona, quais são seus reais benefícios e para quem é indicada? Entenda a seguir. 

Climatério e menopausa: qual a diferença? 

Antes de falar sobre o tratamento, é importante esclarecer esses dois conceitos, que muitas vezes são usados como sinônimos. 

  • Menopausa é um marco: corresponde à última menstruação da mulher. Ela é confirmada após 12 meses sem menstruar e representa o fim da fase reprodutiva. 
  • Climatério é um processo: é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva. Ele pode começar alguns anos antes da menopausa (na perimenopausa) e se estender após ela. É nessa fase que os sintomas incômodos costumam aparecer, devido ao declínio progressivo na produção dos hormônios femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona pelos ovários. 

Sintomas comuns do climatério 

A queda hormonal afeta todo o organismo. Entre os sintomas mais frequentes estão: 

  • Fogachos (ondas de calor súbitas, especialmente no rosto, pescoço e tronco) 
  • Suores noturnos e insônia 
  • Ressecamento vaginal e desconforto na relação sexual 
  • Perda da libido 
  • Alterações de humor, irritabilidade e maior risco de depressão 
  • Fadiga e cansaço frequente 
  • Pele mais seca e fina, com perda de colágeno 
  • Ganho de peso e alteração na distribuição da gordura corporal 
  • Incontinência urinária 

O que é a terapia hormonal na menopausa? 

A terapia hormonal consiste na administração controlada dos hormônios que estão em falta no organismo feminino (estrogênio, isolado ou combinado à progesterona), com o objetivo de repor o que os ovários deixaram de produzir. O tratamento é individualizado, considerando o tipo, a dose e a via de administração mais adequada para cada mulher. 

Principais benefícios da terapia hormonal 

Quando indicada corretamente e iniciada no momento certo, a TH pode trazer benefícios que vão muito além do alívio dos sintomas imediatos. 

  1. Alívio eficaz dos sintomas do climatério

Este é o benefício mais conhecido. A TH é extremamente eficaz para reduzir ou até eliminar os fogachos e os suores noturnos. Além disso, melhora o ressecamento vaginal, a dor durante a relação sexual e contribui para a estabilidade do humor e a qualidade do sono. 

  1. Proteção da pele

A queda de estrogênio acelera o envelhecimento da pele, deixando-a mais fina, ressecada e com menos colágeno. Estudos mostram que mulheres que fazem a terapia hormonal apresentam uma pele com melhor espessura e elasticidade em comparação com aquelas que não fazem o tratamento. 

  1. Prevenção e tratamento da osteoporose

O estrogênio é fundamental para a fixação de minerais como o cálcio nos ossos. Com sua queda, a perda de massa óssea se acelera, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. A TH ajuda a desacelerar essa perda e a preservar a saúde óssea. 

  1. Proteção cardiovascular em longo prazo

Quando iniciada na chamada “janela de oportunidade” (próximo ao início dos sintomas e antes dos 60 anos), a TH pode oferecer proteção ao coração e aos vasos sanguíneos, já que o estrogênio tem um papel importante na saúde cardiovascular. 

Como e quando fazer a terapia hormonal? 

Para que a TH seja segura e eficaz, alguns pontos são essenciais: 

  • Janela de oportunidade: os maiores benefícios e menores riscos são observados quando o tratamento é iniciado nos primeiros 10 anos de sintomas (ou antes dos 60 anos). 
  • Acompanhamento médico obrigatório: a TH deve ser sempre prescrita e monitorada por um ginecologista ou endocrinologista, que avaliará os benefícios e riscos individuais, o histórico de saúde da mulher e as contraindicações (como histórico de câncer de mama, trombose ou doença hepática grave). 
  • Individualização: não existe fórmula única. A médica ou o médico definirá o hormônio, a dose e a via de administração (comprimidos, gel, adesivo ou implante) mais adequados para cada caso. 
  • Aliada a um estilo de vida saudável: a TH potencializa seus efeitos quando combinada a uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse e bom sono. 

Importante: a terapia hormonal, como qualquer intervenção médica, deve ser cuidadosamente avaliada. As informações aqui presentes têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional de saúde qualificado. 

Fontes:  

Febrasgo  

Ministério da Saúde 

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