
PMMA: entenda por que o uso desse preenchedor exige tanto cuidado
Isabelle Macedo Cabral

Em 2024, o Brasil foiimpactado pela morte da modelo e influenciadora Aline Ferreira, de 33 anos, após complicações de um procedimento estético com PMMA para aumento de glúteos. Infelizmente, casos como esse não são isolados e acendem um alerta importante sobre os riscos associados ao uso inadequado dessa substância. Mas, afinal, o que é o PMMA e por que ele pode ser tão perigoso?
Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com a cirurgiã plástica Dra. Patrícia Marques, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
O que é o PMMA?
O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético, composto por microesferas semelhantes a um plástico acrílico. No Brasil, seu uso como preenchedor é regulado pela Anvisa e ele é classificado como produto de risco máximo (classe IV), ou seja, só pode ser utilizado em situações muito específicas e por profissionais habilitados.
Diferente de outros preenchedores, como o ácido hialurônico, o PMMA não é absorvido pelo organismo. Isso significa que seus efeitos são permanentes. “É exatamente essa característica que atrai muitas pessoas em busca de resultados duradouros e imediatos. No entanto, é também o que o torna potencialmente perigoso, pois as complicações, quando surgem, são de difícil resolução”, explica a Dra. Patrícia.
Quais são os principais riscos?
A aplicação do PMMA envolve riscos sérios, que podem aparecer logo após o procedimento ou meses, e até anos, depois. Entre as principais complicações estão:
- Reações inflamatórias tardias e imprevisíveis: o corpo pode reconhecer o material como estranho e reagir contra ele a qualquer momento, causando dor, inchaço e vermelhidão intensos.
- Infecções crônicas: por ser um corpo estranho, o local da aplicação pode se tornar um foco de infecções de difícil tratamento, que não respondem bem aos antibióticos.
- Deformidades e necrose: o produto pode migrar do local de aplicação, formar nódulos, endurecer o tecido (fibrose) e até causar a morte das células da pele (necrose), levando a sequelas irreversíveis.
- Dificuldade de remoção: ao contrário de uma prótese de silicone ou do ácido hialurônico (que pode ser dissolvido), o PMMA se espalha e se incorpora aos tecidos. Sua remoção é cirúrgica, complexa, e muitas vezes não é possível retirar todo o material sem causar grandes deformidades.
Existe uso seguro para o PMMA?
Sim, mas ele é bastante restrito. A própria Anvisa orienta que o produto não é indicado para aumento de volume corporal ou facial, e sim para correções pontuais e em pequenas quantidades, como em casos de lipodistrofia (perda de gordura) em pacientes com HIV ou para preencher pequenas depressões cicatriciais.
“O grande problema é o uso off-label e a banalização da técnica. O PMMA virou uma ‘promessa’ de aumento dos glúteos sem cirurgia, como se fosse um procedimento simples. Para dar volume em uma área extensa como os glúteos, são necessários grandes volumes do produto, o que multiplica exponencialmente os riscos. O PMMA jamais deve ser usado como substituto de uma prótese de silicone”, alerta a cirurgiã.
Alternativas mais seguras para ganho de volume
Se o objetivo é aumentar o volume dos glúteos ou de outras regiões do corpo de forma segura, existem opções consagradas e com perfil de risco muito mais controlado:
- Prótese de silicone: é a cirurgia para colocação de implantes. Caso haja qualquer problema, a prótese pode ser removida com uma cirurgia.
- Lipoenxertia (enxerto de gordura): é a transferência da própria gordura da paciente (retirada por lipoaspiração) para a área desejada. Por ser um tecido do próprio corpo, não há risco de rejeição, e a gordura absorvida é eliminada naturalmente, enquanto a que pega se integra ao local.
O papel fundamental do profissional habilitado
A Anvisa é clara: o PMMA só pode ser administrado por profissionais treinados, que devem avaliar cada caso individualmente, determinar as doses adequadas e seguir rigorosamente as orientações técnicas.
Por isso, antes de se submeter a qualquer procedimento estético, é fundamental:
- Pesquisar sobre o produto que será utilizado.
- Verificar o registro do produto na Anvisa.
- Consultar um profissional médico credenciado e especialista, que fará uma avaliação honesta e indicará a melhor e mais segura técnica para o seu caso, dentro das indicações aprovadas.
A busca pela autoestima e satisfação com o corpo é legítima, mas a saúde e a segurança precisam vir sempre em primeiro lugar.
Fonte: Dra. Patrícia Marques, cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. CRM-SP 146410.
Mais sobre Cuidados Pessoais


Rosto inchado: causas e como desinchar

Terapia hormonal na menopausa: como ela pode melhorar a qualidade de vida

PMMA: entenda por que o uso desse preenchedor exige tanto cuidado

Maquiagem no frio: cuidados essenciais para manter a pele saudável e bonita
