Probióticos: como as “bactérias do bem” influenciam seu corpo e mente

Isabelle Macedo Cabral

Probióticos: como as “bactérias do bem” influenciam seu corpo e mente

Você já parou para pensar que dentro do seu intestino vive um verdadeiro universo de microrganismos? Eles não só ajudam na digestão, como também se comunicam com o cérebro e fortalecem as defesas do corpo. Estamos falando dos probióticos, as chamadas “bactérias do bem”. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, oferecem benefícios à saúde. Mas seus efeitos vão muito além de regular o intestino. 

Uma ponte entre o intestino e o cérebro 

A influência dos probióticos no humor é um dos campos mais fascinantes da ciência. Um estudo publicado na revista Psychiatry Research mostrou que pessoas com personalidade instável se tornaram menos tensas após adotarem uma dieta rica nesses microrganismos. 

Isso acontece porque o intestino abriga cerca de 95% da serotonina do corpo, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. Quando a microbiota está desequilibrada, a comunicação com o sistema nervoso central pode ser prejudicada, resultando em sintomas como ansiedade, impaciência e estresse. Manter esse ecossistema em equilíbrio é, portanto, uma forma de cuidar também da saúde mental. 

O intestino como centro de defesa 

O sistema imunológico é outro grande beneficiado. Estima-se que 70% das células de defesa do nosso corpo estejam concentradas no intestino. Por isso, uma flora intestinal equilibrada é a primeira linha de proteção contra infecções e doenças. 

Os probióticos ajudam a fortalecer essa barreira, limitando a proliferação de bactérias nocivas e estimulando a resposta imune. Estudos indicam que seu consumo regular pode até ter um papel na prevenção do câncer de cólon, ao reduzir a inflamação e inibir a formação de substâncias carcinogênicas. 

Aliados da boca e do intestino 

Os benefícios também chegam à saúde bucal. Pesquisas mostram que os probióticos ajudam a reduzir o mau hálito, a incidência de cáries e a gengivite, além de combater o fungo Candida albicans, causador do “sapinho”. 

Para quem sofre de doenças digestivas, como a Doença de Crohn ou a síndrome do intestino irritável, eles podem ser grandes aliados. Um estudo da Unicamp, por exemplo, demonstrou que a suplementação com cepas específicas de Lactobacillus e Bifidobacterium reduziu a diarreia em pacientes com Crohn. 

Um alívio para quem tem intolerância à lactose 

Um dos benefícios mais práticos dos probióticos é para pessoas com intolerância à lactose. Certas bactérias, como o Lactobacillus acidophilus, produzem a enzima lactase, que ajuda a digerir o açúcar do leite. 

De acordo com um estudo da Revista Brasileira de Ciências Biomédicas, os probióticos minimizam os sinais e sintomas da intolerância ao aumentar a atividade da lactase microbiana no intestino. Isso proporciona mais qualidade de vida e permite que o intolerante tenha uma resistência maior ao consumo de lactose. 

Como incluir probióticos na rotina 

Os probióticos podem ser encontrados naturalmente em alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir, kombucha, chucrute e missô. Mas também é possível recorrer à suplementação, especialmente quando há uma necessidade específica de determinadas cepas. 

Um exemplo é o Lactobacillus acidophilus NCFM, uma das linhagens mais pesquisadas do mundo, conhecida por auxiliar no equilíbrio da flora intestinal. Suplementos que combinam probióticos com a enzima lactase podem ser particularmente úteis para intolerantes à lactose, ajudando na digestão e na saúde gastrointestinal. 

Equilíbrio é a chave 

Os probióticos não são uma solução mágica, mas um componente essencial de um estilo de vida saudável. Eles trabalham em sintonia com uma alimentação equilibrada e hábitos que respeitam o ritmo do corpo. Cuidar da microbiota é, no fundo, cuidar de um ecossistema interno que reflete diretamente na nossa energia, humor e vitalidade. 

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS); Journal of Translational ImmunologyPsychiatry Research; Universidade Internacional da Catalunha; Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp; Revista Brasileira de Ciências Biomédicas. 

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