Vacina da meningite B: para que serve, quando tomar

Isabelle Macedo Cabral

Vacina da meningite B: para que serve, quando tomar

Logo que os bebês chegam ao mundo, já tomam suas primeiras vacinas ainda na maternidade: a BCG e a Hepatite B. Ao completarem três meses de vida, chega a hora de tomar a vacina da meningite B. Você sabe para que ela serve e por que é tão importante? Confira a seguir. 

O que é a meningite B 

A meningite pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, ou também por processos não infecciosos. O meningococo B é um dos principais causadores da meningite bacteriana no mundo. 

O meningococo B é uma bactéria que provoca a inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A doença causada por essa bactéria pode ter evolução mais rápida e mais grave do que a de outros tipos de meningite. 

Do ponto de vista da saúde pública, as meningites bacterianas são as mais preocupantes, pois têm potencial para causar surtos e consequências graves. No Brasil, a doença é considerada endêmica, o que significa que novos casos são esperados ao longo de todo o ano. No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, possíveis surtos e epidemias ocorrem apenas ocasionalmente. 

A vacina da meningite B é muito importante, pois a infecção é de fácil contágio. Além disso, mesmo que o paciente se recupere, a doença pode deixar sequelas como surdez e problemas neurológicos. 

Sintomas da meningite B 

A principal característica da meningite meningocócica é sua rápida evolução. Os principais sintomas aparecem quando o quadro já está avançado, podendo evoluir para óbito em poucas horas. 

Os principais sintomas da meningite são: 

  • Febre 
  • Dor de cabeça 
  • Vômitos 
  • Náuseas 
  • Rigidez na nuca 
  • Manchas vermelhas na pele 

Em bebês menores de um ano, os sintomas podem não ser tão evidentes. Por isso, é necessário ficar atento a outros sinais, como moleira tensa ou elevada, irritabilidade, inquietação com choro agudo e persistente, e rigidez corporal com ou sem convulsões. 

A vacina da meningite B: quando tomar 

As primeiras doses da vacina contra a meningite B foram aplicadas no Brasil em 2016. Até então, não havia nenhum tipo de imunização contra ela no país. Vale destacar que ela está disponível apenas em clínicas particulares. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o esquema de vacinação é o seguinte: 

Crianças entre 3 e 11 meses: doses aos 3 e aos 5 meses de idade (com intervalo mínimo de 2 meses entre elas), mais uma dose de reforço entre 12 e 15 meses de idade. 

Crianças entre 12 e 23 meses: duas doses (com intervalo mínimo de 2 meses) e uma dose de reforço com intervalo de 1 a 2 anos após a última dose. 

Crianças a partir de 2 anos, adolescentes e adultos: duas doses (com intervalo mínimo de 1 mês e ideal de 2 meses). Para essa faixa etária, não foi estabelecida a necessidade de reforços. 

Adultos com até 50 anos devem tomar a vacina em situações específicas, como aqueles que vão viajar para algum destino com risco aumentado da doença. Em qualquer caso, é necessária recomendação médica. 

Para crianças mais velhas que não foram vacinadas anteriormente, o esquema de doses varia conforme a faixa etária. Por isso, deve-se consultar o pediatra. 

A vacina não é indicada para pessoas que tiveram anafilaxia após uso de algum componente da vacina ou após uma dose anterior. 

A vacina da meningite B pode ser aplicada no mesmo momento que a vacina meningite ACWY (também conhecida como vacina tetravalente), que protege contra os meningococos dos sorogrupos A, C, W e Y. 

Possíveis efeitos adversos 

As vacinas que protegem contra a meningite B são produzidas a partir da membrana externa do meningococo B. Portanto, não causam infecções. Como qualquer outra vacina, podem causar reações adversas. 

Em crianças menores de dois anos, pode ocorrer febre alta com duração de 24 a 48 horas. 

Em crianças de até 10 anos, podem ocorrer perda de apetite, sonolência, choro persistente, irritabilidade, diarreia, vômitos, erupções na pele, sensibilidade no local da aplicação e reações locais como dor, calor, vermelhidão ou inchaço. Em casos raríssimos, pode-se observar urticária e outras reações alérgicas. 

Em crianças maiores de 11 anos, podem ocorrer cefaleia, náuseas, dor nos músculos e articulações, mal-estar e reações locais como inchaço, endurecimento, vermelhidão e dor. 

Se a criança estiver com febre, o ideal é adiar a aplicação da vacina até que ela esteja bem. Se sentir dor após a vacinação, faça compressas frias no local da aplicação. Se notar qualquer sintoma grave ou inesperado após a aplicação, notifique a clínica que fez o procedimento. Qualquer efeito adverso que se prolongue por mais de 14 horas requer atendimento médico. 

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