Ozivy é aprovada: Veja tudo sobre a nova “caneta brasileira” para emagrecer
fcsilveira

Com a correria atrás de soluções para perda de peso, a notícia da aprovação da Ozivy pela Anvisa gerou grande expectativa. Mas afinal, o que muda na prática para quem precisa tratar a obesidade ou o diabetes?
Mecanismo de ação: como a Ozivy age no corpo?
A Ozivy utiliza a semaglutida, uma molécula que imita o hormônio GLP-1. Este hormônio age diretamente no cérebro (para dar saciedade) e no estômago (para retardar a digestão). Na prática, o paciente se sente satisfeito com menos comida e por mais tempo, reduzindo naturalmente a ingestão calórica.
Qual a diferença entre Ozivy e as outras “canetas”?
É comum a confusão entre os nomes. Em resumo, existem três grandes grupos de canetas injetáveis para perda de peso e diabetes no mercado brasileiro atualmente.
O primeiro grupo é o das canetas à base de liraglutida, representadas pelos medicamentos Saxenda e Victoza. Esses exigem aplicação diária e promovem uma perda de peso média de 5% a 8% do peso corporal. Por ser uma geração mais antiga, seu efeito é mais modesto em comparação com os novos fármacos.
O segundo grupo é o da semaglutida, que inclui o Ozempic, o Wegovy e agora a recém-aprovada Ozivy. Todos são de aplicação semanal e proporcionam uma perda de peso significativamente maior, na faixa de 10% a 15% do peso corporal. A Ozivy se diferencia por ser a primeira versão nacional desse princípio ativo, o que deve baratear o custo do tratamento.
O terceiro grupo, atualmente considerado o mais potente do mundo, é o da tirzepatida, vendido no Brasil como Mounjaro (para diabetes) e Zepbound (para obesidade). Este fármaco age em dois hormônios simultaneamente (GIP e GLP-1) e alcança perda de peso entre 15% e 22%, mas sua patente no Brasil só expira em 2036, o que impede a chegada de versões mais baratas no curto prazo.
A Ozivy se posiciona, portanto, no patamar intermediário de eficácia: mais forte que a liraglutida de aplicação diária, porém ainda menos potente que a tirzepatida de dupla ação.
Ozivy é “genérica” do Ozempic?
Não. Embora tenham o mesmo efeito, a Ozivy é um medicamento similar. A grande diferença técnica está na origem: o Ozempic é um biológico (produzido por engenharia genética em células vivas), enquanto a Ozivy é sintética (manufaturada por reações químicas em laboratório). O registro foi concedido após a EMS comprovar que sua molécula sintética é bioequivalente — ou seja, tem o mesmo comportamento no organismo que a original.
Situação de venda no Brasil
No Brasil, a venda ocorrerá exclusivamente sob prescrição médica e deve começar por volta de julho e agosto de 2026.
Embora aprovada, a caneta ainda não está disponível na rede pública (SUS). Para isso, precisará passar por análise de custo-efetividade pela CONITEC e ser incorporada pelo Ministério da Saúde.
Expectativa de preço
A principal vantagem da Ozivy será financeira. Por ser nacional e não pagar royalties, espera-se que o custo mensal seja menor. A previsão do setor é que o preço final seja até 30% mais barato que o Ozempic original, tornando o tratamento mais acessível.
Cuidados essenciais no uso da caneta Ozivy
Como qualquer medicamento com semaglutida, a Ozivy exige prescrição médica obrigatória. A automedicação é perigosa e pode levar a efeitos adversos graves, como pancreatite, hipoglicemia severa e reações alérgicas.
A própria Anvisa tem intensificado a fiscalização contra a venda irregular de canetas emagrecedoras, especialmente manipuladas e importadas sem registro. A chegada de uma opção nacional regulamentada é vista por especialistas como uma forma de reduzir o mercado clandestino e oferecer mais segurança aos pacientes.
Antes de iniciar o tratamento, certifique-se de que um endocrinologista avaliou suas comorbidades, explicou a técnica de aplicação e orientou sobre os sinais de alerta. E lembre-se: a caneta auxilia no processo, mas a manutenção do peso perdido depende de reeducação alimentar e atividade física regulares — não há injeção que substitua hábitos saudáveis.





