
Tadalafila: tudo o que você precisa saber antes de tomar
Isabelle Macedo Cabral

O segundo remédio mais vendido do Brasil requer cuidados específicos. Entenda como funciona, por que a prescrição médica é essencial e quais os perigos do uso sem orientação.
1. O que é a tadalafila?
A tadalafila é um medicamento vendido sob prescrição médica, amplamente conhecido pelo nome comercial Cialis® e por seus genéricos. No Brasil, é o segundo remédio mais vendido, com cerca de 43,1 milhões de unidades comercializadas em 2023.
Para que serve oficialmente: a tadalafila é indicada para tratar a disfunção erétil (dificuldade de obter ou manter ereção) e para aliviar sintomas urinários causados pelo aumento da próstata (HPB – hiperplasia prostática benigna).
O que NÃO é: não é “remédio para academia” ou para ganho de massa muscular; não é afrodisíaco (não aumenta a libido); e não é um comprimido inofensivo para uso recreativo.
2. Como funciona na prática?
Imagine que o pênis precisa de um bom fluxo sanguíneo para ficar ereto. A tadalafila age relaxando os vasos sanguíneos, facilitando a entrada de sangue na região. Mas tem um detalhe crucial: não funciona sem estímulo sexual – não é uma “ereção automática”.
O grande diferencial da tadalafila em relação a outros medicamentos da mesma família é sua duração de ação. Enquanto medicamentos como o sildenafil (Viagra®) duram de 4 a 6 horas, a tadalafila pode agir por até 36 horas. Isso permite maior espontaneidade – você não precisa planejar o momento exato da relação.
Existem duas formas de uso: o uso sob demanda, no qual se toma um comprimido de maior dosagem (geralmente 10mg ou 20mg) antes da relação sexual; e o uso diário, com dose de 5mg uma vez ao dia, independentemente da atividade sexual. A dose diária é particularmente útil para homens que também se beneficiam do tratamento dos sintomas urinários da próstata aumentada.
3. Quem pode (e quem NÃO pode) tomar
Pode tomar (com orientação médica): homens com disfunção erétil diagnosticada e homens com sintomas de próstata aumentada (HPB).
NÃO pode tomar: quem usa nitratos (medicamentos para o coração); homens sem disfunção erétil ou problemas de próstata; pessoas com doença cardíaca grave não controlada; quem tem insuficiência hepática ou renal grave; crianças e mulheres.
4. O risco mais grave: nitratos
Se você toma nitratos (remédios para angina ou insuficiência cardíaca, como nitroglicerina, mononitrato ou dinitrato de isossorbida) você não pode tomar tadalafina.
A combinação pode causar uma queda brutal da pressão arterial, levando a desmaio, infarto ou morte. Mesmo o spray de nitroglicerina usado em emergências está proibido. Por isso, é fundamental que você informe ao seu médico todos os medicamentos que utiliza antes de iniciar o tratamento com tadalafila.
Importante: Se você tomou tadalafila, não pode usar nitratos pelas 48 horas seguintes à última dose.
5. Efeitos colaterais: do incômodo ao perigoso
Efeitos comuns (podem acontecer, geralmente passam rápido): dor de cabeça, que geralmente melhora com o tempo; vermelhidão no rosto, de caráter leve e passageiro; nariz entupido, que pode ser incômodo mas não é grave; dor nas costas ou nas pernas, que costuma durar de 24 a 48 horas; e má digestão, que pode ser amenizada tomando o medicamento junto com alimentos.
Sinais de alerta (procure um médico imediatamente): ereção que não passa depois de 4 horas (priapismo) – neste caso, vá para o pronto-socorro, pois se trata de uma emergência médica; perda súbita da visão ou audição; dor no peito; e falta de ar.
6. O perigo da automedicação: o que você precisa saber
Risco de infarto e AVC: Mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis, o uso sem prescrição pode causar complicações cardiovasculares graves. O esforço físico da relação sexual, combinado com o efeito vasodilatador do medicamento, pode sobrecarregar o coração e precipitar um infarto ou um AVC.
Mascaramento de doenças graves: Este é um ponto extremamente importante. A disfunção erétil muitas vezes é o primeiro sinal de doenças sérias como diabetes (açúcar no sangue alto), hipertensão (pressão alta), colesterol alto e entupimento das artérias (aterosclerose). Quando você se automedica, trata apenas o sintoma mas não descobre a causa. O diagnóstico dessas doenças pode ser adiado por anos, até que seja tarde demais para um tratamento eficaz.
Dependência psicológica: Entre os jovens, o uso “recreativo” tem crescido muito. O problema é que, em pouco tempo, o homem passa a acreditar que só funciona com o comprimido – mesmo sem ter nenhum problema físico.
O perigo do “comprei na internet”: Comprar tadalafila sem prescrição, especialmente pela internet ou em academias, é ainda mais perigoso. Você nunca sabe o que está tomando de fato – pode ser um produto falsificado, com doses erradas ou substâncias tóxicas adicionadas. Além de ser ilegal, essa prática coloca sua saúde em risco grave.
7. Quando procurar um médico
Procure um urologista se você tem dificuldade frequente para obter ou manter ereção; se você acorda várias vezes à noite para urinar; se seu jato de urina está fraco; ou se você sente que não esvazia completamente a bexiga.
A disfunção erétil tem solução na maioria dos casos, e muitas vezes a causa é tratável sem medicação. Isso pode incluir ajuste de hábitos de vida (como alimentação e exercícios), controle de doenças de base (como diabetes e hipertensão) ou terapia hormonal, quando indicada. O médico é o profissional capacitado para investigar a causa e propor o tratamento mais adequado para o seu caso.
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