
Chikungunya: o que é, sintomas e como se proteger
Isabelle Macedo Cabral

- O que é chikungunya?
- Como é transmitida a chikungunya?
- Principais sintomas da chikungunya
- Fases da doença: aguda, pós-aguda e crônica
- Complicações possíveis (casos atípicos)
- Como é feito o diagnóstico?
- Tratamento: o que funciona e o que evitar
- Vacina contra chikungunya: uma novidade histórica
- Prevenção: como se proteger até a vacina chegar a todos
A chikungunya chegou ao Brasil em 2014 e, desde então, todo verão os casos voltam a aumentar. Diferente da dengue, essa doença deixa uma marca que pode durar anos: dores intensas nas articulações. Mas agora temos uma novidade que muda o cenário: o Brasil acaba de dar um passo histórico no combate à doença. A seguir, explicamos tudo o que você precisa saber sobre a febre chikungunya – incluindo a vacina recém-aprovada – de forma clara, direta e baseada em evidências.
O que é chikungunya?
Chikungunya é uma arbovirose, ou seja, uma doença causada por um vírus transmitido por mosquitos. O nome vem do swahili, idioma da Tanzânia, e significa “aqueles que se dobram” – uma referência à postura curvada dos pacientes durante a primeira grande epidemia, na África, por volta dos anos 1950.
No Brasil, o vírus foi introduzido em 2014 e hoje circula em praticamente todas as regiões, com surtos mais frequentes nos períodos quentes e chuvosos, como o verão.
Como é transmitida a chikungunya?
A transmissão acontece por meio da picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Aedes aegypti (o mesmo da dengue e zika) e Aedes albopictus (o mesmo da febre amarela).
A transmissão direta entre humanos não é comprovada, mas há evidência de que a mãe infectada pode passar o vírus para o feto durante a gestação – o que chamamos de transmissão vertical.
O período de incubação, ou seja, o tempo entre a picada e o aparecimento dos primeiros sintomas, é de 4 a 7 dias.
Principais sintomas da chikungunya
Os sintomas costumam aparecer de repente e podem ser confundidos com dengue ou gripe. O grande diferencial é a dor intensa nas articulações.
Sintomas mais comuns:
- Febre alta súbita
- Dores intensas nas articulações (mãos, punhos, tornozelos, joelhos)
- Dor nas costas
- Dores musculares pelo corpo
- Manchas vermelhas na pele (erupção cutânea)
- Dor de cabeça
- Náuseas e vômitos
- Dor atrás dos olhos (retro-ocular)
- Dor de garganta
- Calafrios
Em crianças, também podem ocorrer diarreia e dor abdominal.
Fases da doença: aguda, pós-aguda e crônica
A chikungunya evolui em três fases. Entender cada uma delas ajuda a saber o que esperar e quando procurar ajuda.
Fase aguda (febril): dura de 5 a 14 dias. Os sintomas incluem febre alta, dores articulares intensas, manchas na pele e dor de cabeça.
Fase pós-aguda: pode durar até 3 meses. As dores articulares e a fadiga persistem, mas com menor intensidade.
Fase crônica: dura mais de 3 meses e pode se estender por anos. Estima-se que 50% das pessoas infectadas desenvolvam artralgia crônica – dor nas articulações que simplesmente não vai embora.
Complicações possíveis (casos atípicos)
Embora menos frequentes, a chikungunya pode afetar outros órgãos e sistemas:
Sistema nervoso: meningoencefalite, convulsões, síndrome de Guillain-Barré, paralisias e neuropatias.
Coração: miocardite, arritmias, pericardite e insuficiência cardíaca.
Olhos: uveíte, neurite óptica, iridociclite e retinite.
Rins: nefrite e insuficiência renal aguda.
Pele: hiperpigmentação por sensibilidade ao sol, bolhas e ulcerações.
Outros órgãos: pneumonia, hepatite, pancreatite e alterações no sangue.
A mortalidade é baixa, mas crianças menores de 1 ano têm risco um pouco maior – cerca de 0,4% dos casos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, ou seja, feito por um médico que avalia os sintomas e o histórico do paciente. Ele pode ser confirmado por exames laboratoriais disponíveis no SUS, como a sorologia (que detecta anticorpos contra o vírus) e o PCR (que identifica o material genético do vírus nas primeiras semanas de infecção).
Importante: se você teve febre e dores nas articulações nos últimos dias, procure uma unidade de saúde. Não espere os sintomas piorarem.
Tratamento: o que funciona e o que evitar
Não existe antiviral específico contra o vírus da chikungunya. O tratamento é focado no alívio dos sintomas:
- Medicamentos para febre e dor, sempre prescritos por um médico
- Hidratação abundante – água, água de coco e soro caseiro são ótimos aliados
- Repouso, especialmente na fase aguda da doença
- Evitar anti-inflamatórios nos primeiros dias sem orientação médica, pois eles podem mascarar sintomas ou até piorar alguns quadros virais
Automedicação pode atrasar o diagnóstico e agravar complicações. Nada de remédio por conta própria.
Vacina contra chikungunya: uma novidade histórica
Sim, a vacina contra a chikungunya já está disponível e autorizada no Brasil. Esse é um marco importante na saúde pública do país.
Em abril de 2025, a Anvisa liberou o registro da primeira vacina do mundo contra a chikungunya. E em maio de 2026, a agência autorizou a produção nacional do imunizante, chamado Butantan-Chik, pelo Instituto Butantan.
Para quem é indicada?
A vacina é recomendada para adultos de 18 a 59 anos, 11 meses e 29 dias. Ainda não está disponível para crianças, adolescentes acima de 60 anos ou gestantes – mas os estudos continuam para ampliar o público-alvo no futuro.
Qual é a eficácia?
Os estudos clínicos mostraram resultados impressionantes: a vacina, desenvolvida com tecnologia de vírus atenuado (enfraquecido), produziu anticorpos em 98,9% dos participantes. Isso significa uma proteção altíssima contra a doença.
Como vai ser a distribuição?
A produção local no Instituto Butantan vai aumentar o acesso e facilitar a incorporação da vacina ao SUS (Sistema Único de Saúde). A expectativa é que nos próximos anos a vacina esteja disponível gratuitamente nos postos de saúde para a população elegível.
Enquanto a vacina não chega a todos os postos, a prevenção contra o mosquito continua sendo essencial.
Prevenção: como se proteger até a vacina chegar a todos
Mesmo com a vacina disponível para parte da população, eliminar os focos do mosquito continua sendo fundamental – principalmente para proteger crianças, idosos e gestantes, que ainda não têm imunização aprovada.
O que você pode fazer no seu dia a dia:
- Eliminar água parada em vasos de planta, pneus, calhas, lajes e caixas d’água destampadas
- Manter a casa limpa e os ralos sempre fechados
- Usar repelentes registrados (com substâncias como DEET, Icaridina ou IR3535) – inclusive gestantes podem usar, com orientação médica
- Usar roupas compridas e claras quando estiver em áreas com muitos mosquitos
- Colocar mosquiteiros em berços e camas de crianças pequenas
- Instalar telas protetoras em janelas e portas
Ações comunitárias também contam: cobrir caixas d’água corretamente, recolher o lixo de forma adequada e limpar terrenos abandonados ajudam a proteger toda a vizinhança.
Saber o que você enfrenta é o primeiro passo para não se curvar à doença. Previna-se todos os dias, vacine-se se você estiver dentro do público-alvo, fique atento aos sinais do seu corpo e, se suspeitar de chikungunya, procure atendimento médico.
Fontes: Bio-Manguinhos/Fiocruz; Ministério da Saúde e Biblioteca Virtual em Saúde.
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