Automedicação no inverno: quando o alívio rápido pode se tornar um grande risco

Camila Rubim

Automedicação no inverno: quando o alívio rápido pode se tornar um grande risco

No Brasil, cerca de 25% dos casos de intoxicação medicamentosa são originados pela automedicação. Nos últimos cinco anos, foram registradas quase 60 mil internações por esse motivo, segundo o Ministério da Saúde. Com a chegada do inverno e o aumento de gripes e resfriados, essa prática se torna ainda mais comum. Entenda os riscos e como se proteger. 

O cenário da automedicação no Brasil 

O brasileiro tem o hábito de se automedicar. Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que 89% da população já tomou remédios por conta própria. Esse hábito afeta principalmente mulheres, pessoas economicamente ativas e com maior nível de instrução. 

No inverno, as doenças respiratórias triplicam, segundo a OMS. Somado à facilidade de acesso a medicamentos nas farmácias e à ideia equivocada de que sintomas leves não exigem avaliação médica, a automedicação se torna uma armadilha perigosa. 

 

Os principais medicamentos usados sem orientação 

Entre os medicamentos mais consumidos livremente estão os indicados para gripe, resfriado, febre, tosse, dores de cabeça e na barriga. Os mais comuns são: 

  • Antitérmicos 
  • Analgésicos 
  • Anti-inflamatórios 
  • Xaropes para tosse 
  • Descongestionantes nasais 
  • Antialérgicos  

 

Como a automedicação afeta o organismo? 

Intoxicação e danos a órgãos 

O uso prolongado ou em doses inadequadas de medicamentos pode causar danos ao fígado, rins e estômago.  

Criação de dependência 

O uso abusivo de medicamentos sem prescrição pode levar à dependência química ou psicológica. Sinais como mudanças de comportamento, irritabilidade ou confusão indicam que algo está errado. 

Rinite medicamentosa 

O uso constante de descongestionantes nasais pode levar à dependência e à chamada rinite medicamentosa, uma condição em que o nariz fica ainda mais entupido quando o efeito do remédio passa. 

Diagnóstico tardio de doenças graves 

Com a supressão dos sintomas, as pessoas postergam a procura pelo médico. E isso pode adiar o diagnóstico de doenças mais graves. 

 

 

Efeitos em grupos específicos 

  • Crianças: O organismo das crianças metaboliza medicamentos de forma completamente diferente dos adultos. Antitérmicos em doses erradas podem intoxicar o fígado, e xaropes para tosse inadequados são perigosos para menores de 2 anos. 
  • Idosos: Com mudanças fisiológicas relacionadas à idade, os idosos são mais sensíveis a reações adversas, o que torna a automedicação especialmente perigosa nessa faixa etária. 
  • Gestantes: O uso inadequado de medicamentos pode levar a malformações do feto. 
  • Pessoas com doenças crônicas: Antigripais e descongestionantes podem elevar a pressão arterial e causar insônia ou agitação. Quem tem hipertensão, diabetes ou doenças gástricas deve ter cuidado redobrado. 

 

Alternativas seguras para alívio dos sintomas 

Para aliviar sintomas comuns sem recorrer a remédios, existem alternativas naturais que podem ser eficazes: 

  • Dor de garganta: Gargarejos com água morna e sal ou chá de gengibre e mel. 
  • Congestão nasal: Lavagem nasal com soro fisiológico.  
  • Febre leve: Manter-se hidratado, descansar e aplicar compressas frias. 
  • Tosse: Higiene nasal com soro fisiológico ajuda a desobstruir o nariz e diminuir a tosse. 

Quando procurar um médico? 

Os sinais clássicos de alarme são: 

  • Desconforto respiratório 
  • Abatimento intenso 
  • Vômitos 
  • Manchas vermelhas pelo corpo  

Se os sintomas não melhorarem ou se houver sinais de gravidade, a busca por atendimento médico é indispensável. 

 

O papel do farmacêutico 

O farmacêutico tem um papel essencial na promoção do uso seguro e racional dos medicamentos. Ele orienta, identifica riscos e ajuda a conectar o paciente com o sistema de saúde.  

Os profissionais da Raia são treinados e equipados para lidar com esses casos. 

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