Gastroenterite: causas, sintomas, tratamentos e como prevenir

Isabelle Macedo Cabral

Gastroenterite: causas, sintomas, tratamentos e como prevenir

A gastroenterite é uma inflamação do trato gastrointestinal que afeta o estômago e o intestino delgado. Trata-se de uma doença comum: cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem com a enfermidade a cada ano. Atinge principalmente pacientes infantis, cuja mortalidade é maior, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). São necessários o diagnóstico precoce, o tratamento correto e uma dieta adequada para reforçar o sistema de defesa do corpo e evitar a desidratação. 

O que é a gastroenterite? 

A gastroenterite é uma inflamação aguda que atinge simultaneamente o estômago (gastro) e o intestino delgado (enterite). Geralmente, é causada por uma infecção viral (como norovírus ou rotavírus), bacteriana (como Escherichia coli ou Salmonella) ou parasitária (como Giárdia). Também pode ser desencadeada por intoxicação alimentar ou reações alérgicas a certos alimentos. A doença se caracteriza por um início súbito de sintomas que podem variar de leves a graves, dependendo do agente causador e do estado de saúde da pessoa. 

Quais são as causas e formas de transmissão? 

Normalmente, a gastroenterite é transmitida de três principais formas. A primeira é pelo contato com alimentos ou água contaminados por fezes contendo o agente infeccioso (a chamada via fecal-oral). A segunda é pela saliva, ao compartilhar copos, talheres ou ao dar beijos em pessoas infectadas. A terceira é pelo toque em uma superfície contaminada (como maçanetas, brinquedos ou bancadas) e, em seguida, levar a mão à boca. Surtos da doença são comuns em ambientes fechados e com aglomeração, como creches, escolas, asilos, cruzeiros e hospitais. 

Quais são os sintomas da gastroenterite? 

Os principais sintomas incluem diarreia aquosa, cólicas abdominais intensas, náuseas, vômitos e febre (geralmente baixa). Há também sinais mais específicos que podem estar presentes. 

Dores locais podem ocorrer no abdômen ou no reto. No aparelho gastrointestinal, são comuns arrotos, engasgos, fezes verdes, inchaço abdominal, indigestão, dores de estômago e flatulência. Em todo o corpo, podem surgir calafrios, desidratação, fadiga intensa, perda de apetite, sede excessiva, tontura e suor excessivo. Além disso, é frequente observar boca seca, dor de cabeça, perda de peso, produção insuficiente de urina (urina escura e concentrada) e ritmo cardíaco acelerado. 

Como é feito o diagnóstico? 

O diagnóstico da gastroenterite é, a princípio, simples e, na maioria dos casos, não exige exames laboratoriais ou de imagem muito complexos. O médico avalia o histórico de sintomas e faz um exame físico. O exame de fezes é um dos principais para detectar o agente infeccioso quando a doença é grave ou persistente. Inclusive, com ele, é possível determinar qual tipo de agente (bactéria, vírus ou parasito) está presente no organismo, o que orienta o tratamento específico. Além disso, exames de sangue podem ser solicitados para avaliar sinais de desidratação, infecção generalizada ou alterações eletrolíticas. 

Tratamento disponível 

O tratamento da gastroenterite geralmente se concentra na reposição de líquidos e eletrólitos perdidos devido à diarreia e ao vômito. Isso pode ser feito através da ingestão de líquidos claros, como água, caldos e bebidas isotônicas. Soluções de reidratação oral (soro caseiro ou soro farmacêutico) são especialmente importantes em crianças e idosos. Em casos mais graves, pode ser necessário buscar atendimento médico para receber fluidos intravenosos e medicações para aliviar os sintomas (como antieméticos para vômitos e antitérmicos para febre). 

Se não combatida, a condição pode levar à morte, sobretudo em áreas mais vulneráveis, onde não há saneamento básico e acesso à água potável, e em crianças menores de cinco anos, justamente pelo risco de desidratação rápida. O médico pode recomendar o uso de alguns medicamentos específicos se a causa for bacteriana ou parasitária (como antibióticos ou antiparasitários), mas, na maioria dos casos virais, o tratamento é de suporte. O mais importante é manter uma dieta adequada, fazer repouso e priorizar a reposição de líquidos e sais minerais. 

Dieta para gastroenterite 

É normal que o apetite diminua durante a gastroenterite, mas isso não quer dizer que você deva parar de comer. Mesmo diminuindo o volume das refeições, é muito importante se alimentar adequadamente e beber bastante água para ajudar o corpo na recuperação. 

Os alimentos mais indicados são carboidratos de fácil digestão, como arroz branco, pão branco, macarrão branco e frutas sem casca. Também são recomendadas proteínas com baixo teor de gordura, como peixes brancos, frango sem pele, tofu, ovo e cogumelos. 

Exemplos práticos para incluir no cardápio incluem frutas sem casca como maçã, pera, banana prata, pêssego, abacaxi, caju, goiaba, maracujá, melão ou limão. Vegetais cozidos e sem casca, como cenoura, beterraba, chuchu, abobrinha, berinjela, tomate ou vagem, são bem tolerados. Cereais com fibras de fácil digestão, como arroz branco, macarrão branco, pão branco ou tapioca, ajudam a fornecer energia. Tubérculos como batata, batata-doce, batata-baroa, cará, inhame ou aipim são fontes de carboidratos leves. E proteínas magras como frango sem pele, peixes brancos sem pele, ovos, tofu ou peito de peru sem pele são importantes para a recuperação. 

Por fim, evite itens que irritam o trato digestivo, como café, pimentas, temperos fortes (mesmo que naturais), carnes embutidas (salsicha, linguiça, presunto) e ingredientes ultraprocessados (refrigerantes, frituras, salgadinhos). Sobre as bebidas, além da água pura, dá para apostar em chás sem cafeína (camomila, erva-doce, hortelã), água de coco e águas saborizadas naturalmente com frutas. Evite bebidas alcoólicas e refrigerantes, que podem piorar a diarreia e a desidratação. 

Como prevenir? 

Para prevenir a gastroenterite, é fundamental observar uma boa higiene. Lave as mãos regularmente com água e sabão, especialmente após usar o banheiro, antes de manusear alimentos, após trocar fraldas e antes das refeições. Evite o consumo de alimentos mal cozidos ou estragados, e lave bem frutas, verduras e legumes antes de consumi-los. Beba apenas água potável, filtrada, fervida ou mineral. Mantenha os alimentos refrigerados adequadamente e evite deixá-los em temperatura ambiente por longos períodos. Em casa, desinfete superfícies e objetos que possam estar contaminados. Isolar pessoas doentes e evitar compartilhar utensílios também ajuda a reduzir o risco de infecção em surtos familiares. 

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