Vacinas na gravidez: o que toda gestante precisa saber
Bianca Azevedo

Apesar de todas as evidências científicas sobre a segurança e eficácia da vacinação durante a gravidez, muitas gestantes ainda hesitam. O motivo? Desinformação. O desconhecimento é a principal razão pela qual as gestantes não se vacinam — responsável por 89,9% dos casos de recusa. E não é só isso: 48,7% dos médicos também admitem que não indicam vacinas por falta de conhecimento.
O que preocupa os especialistas é que, além de colocar a mãe em risco, a falta de imunização expõe o recém-nascido a doenças graves nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não pode ser vacinado. Vamos explicar quais vacinas são essenciais e esclarecer os principais mitos.
Quais vacinas devo tomar durante a gestação?
As principais entidades de saúde, como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), o CDC e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), são unânimes em recomendar quatro vacinas para todas as gestantes:
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Vacina contra a gripe (Influenza)
Quando tomar: em qualquer trimestre da gestação.
A gestante tem maior risco de complicações graves da gripe, e a vacinação protege tanto a mãe quanto o recém-nascido nos primeiros meses de vida.
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Vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche)
Quando tomar: entre 20 e 32 semanas de gestação (preferencialmente a partir da 27ª semana).
A coqueluche é uma doença respiratória grave que pode levar à morte em bebês. A vacinação na gestação permite a passagem de anticorpos para o feto.
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Vacina contra a COVID-19
Quando tomar: em qualquer trimestre, com dose de reforço recomendada a cada seis meses para gestantes.
A COVID-19 ainda representa um risco significativo para gestantes, que têm maior chance de desenvolver complicações graves.
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Vacina contra o VSR (vírus sincicial respiratório) – Abrysvo
Quando tomar: entre 32 e 36 semanas de gestação, sazonalmente (período de circulação do vírus).
A vacina materna é capaz de reduzir em 81,9% os casos graves de infecção respiratória por VSR nos primeiros 90 dias após o nascimento.
Principais mitos sobre vacinação em gestantes
Mito 1: “Vacinas na gravidez causam malformações no bebê”
Mentira. Não há nenhuma evidência científica que associe as vacinas recomendadas para gestantes a malformações congênitas. Esse é o mito mais comum e também o mais infundado. Os estudos clínicos e o uso em larga escala comprovam a segurança das vacinas inativadas e de subunidades durante a gestação.
Mito 2: “Vacinas podem causar aborto ou parto prematuro”
Mentira. Não há relação causal entre a vacinação e abortos ou partos prematuros. Pelo contrário: a imunização ativa durante a gravidez pode reduzir a incidência de complicações como partos prematuros, baixo peso ao nascer e hospitalizações neonatais.
Mito 3: “A vacina da gripe é perigosa no primeiro trimestre”
Mentira. A vacina da gripe pode ser administrada em qualquer trimestre da gestação. A gestante tem maior risco de complicações graves da gripe, e a vacinação protege tanto a mãe quanto o recém-nascido.
Mito 4: “Vacinas reduzem a quantidade de líquido amniótico”
Mentira. Não há qualquer evidência científica que sustente essa afirmação.
Mito 5: “Se eu já tomei a vacina dTpa na gestação anterior, não preciso tomar de novo”
Mentira. A vacina dTpa (contra difteria, tétano e coqueluche) deve ser administrada em cada gestação, independentemente do intervalo entre os partos. Isso porque a passagem de anticorpos para o feto ocorre apenas após a imunização da mãe.
Verdades sobre vacinação em gestantes que você deve saber
Verdade 1: A vacinação materna protege o bebê por meses
Os anticorpos produzidos pela mãe após a vacinação atravessam a placenta e conferem proteção ao bebê nos primeiros meses de vida — exatamente quando ele ainda não pode receber suas próprias vacinas. Para a coqueluche, por exemplo, a imunização materna é a única forma de proteger o recém-nascido contra a doença.
Verdade 2: A vacinação materna também protege a comunidade
Além de proteger mãe e bebê, vacinar gestantes contribui para a imunidade de rebanho, diminuindo a propagação de doenças contagiosas na comunidade.
Verdade 3: Gestantes são grupo prioritário para vacinas
A Organização Mundial da Saúde e os órgãos reguladores de diversos países consideram as gestantes um grupo prioritário para vacinação, especialmente contra a gripe, COVID-19 e coqueluche. A gravidez aumenta o risco de complicações graves dessas doenças, tornando a imunização ainda mais urgente.
Verdade 4: Os benefícios superam os riscos
Os principais efeitos colaterais das vacinas recomendadas para gestantes são leves e locais: dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção. O benefício da proteção contra doenças graves — que podem levar à hospitalização ou até à morte — é imensamente superior.
Onde se vacinar?
As vacinas recomendadas para gestantes estão disponíveis em postos de saúde e clínicas particulares.
Na Raia, você pode agendar seu horário para qualquer vacina. Assim, você evita filas e deslocamento desnecessário. É só escolher no seu horário do site ou aplicativo e comparecer à unidade mais próxima.





