Remédio genérico, similar e de referência: entenda as diferenças e por que isso importa para você

Bianca Azevedo

Remédio genérico, similar e de referência: entenda as diferenças e por que isso importa para você

Na farmácia, você se depara com três caixas diferentes para o mesmo remédio. Uma tem um nome comercial famoso, outra tem uma tarja amarela com a letra “G” e a terceira tem um nome de marca que você não conhece, mas custa menos que o original. Qual escolher? 

Entender a diferença entre medicamento de referência, genérico e similar é essencial para fazer uma escolha consciente e segura. E a boa notícia é que, na maioria dos casos, o efeito no seu corpo será o mesmo. 

Medicamento de referência: o pioneiro 

O medicamento de referência, também chamado de original ou de marca, é o primeiro a ser registrado com um determinado princípio ativo. Ele é fruto de anos de pesquisa e desenvolvimento, com investimento pesado em ensaios clínicos que comprovam sua eficácia, segurança e qualidade. 

Após a aprovação, o medicamento ganha proteção por patente, o que impede que outras empresas o fabriquem por um período determinado. 

É esse medicamento que serve como parâmetro para todos os testes que os genéricos e similares precisarão passar depois. 

Medicamento genérico: cópia fiel e comprovada 

Quando a patente do medicamento de referência expira, outros laboratórios podem produzir a versão genérica. 

O genérico deve conter o mesmo princípio ativo, na mesma dose, forma farmacêutica, via de administração e posologia do medicamento de referência. 

A diferença mais visível é que o genérico não tem marca. Ele é identificado apenas pelo princípio ativo e traz uma tarja amarela com a letra “G”. 

A característica mais importante do genérico é a intercambialidade. Ele pode substituir o medicamento de referência na farmácia, porque comprovou, por meio de testes de bioequivalência, que age no organismo exatamente da mesma forma. 

Medicamento similar: parecido, mas com regras próprias 

O medicamento similar também contém o mesmo princípio ativo do medicamento de referência, mas é vendido sob uma marca comercial. 

A diferença é que o similar pode apresentar variações em características como excipientes (substâncias inativas), formato, cor, tamanho da embalagem e prazo de validade. 

Historicamente, os similares não precisavam comprovar equivalência terapêutica. Isso mudou a partir de 2003, quando a Anvisa passou a exigir testes de biodisponibilidade também para os similares. 

Hoje, existe uma distinção importante: o similar que comprovou equivalência com o medicamento de referência é considerado intercambiável. Nesse caso, a embalagem traz a frase “Medicamento similar equivalente ao medicamento de referência”. 

A diferença que importa para o seu bolso 

Os genéricos são, por definição, mais baratos que os medicamentos de referência. A lei determina que eles custem pelo menos 35% menos. 

Isso é possível porque o fabricante do genérico não precisou arcar com os custos de pesquisa e desenvolvimento da molécula original, nem com os gastos de marketing para criar uma marca. 

Já os similares têm preços variados. Como são vendidos com marca, podem ter custos de marketing embutidos, o que influencia no preço final. 

O que considerar na hora de escolher 

Se o seu médico receitou um medicamento de referência e não escreveu “não substituir”, o farmacêutico pode oferecer o genérico correspondente. Essa substituição é segura e respaldada pela Anvisa. 

Se a opção for um similar, verifique se ele é intercambiável com o medicamento de referência. Essa informação está na embalagem. 

Em casos específicos, como medicamentos com índice terapêutico estreito (aqueles em que a diferença entre a dose eficaz e a tóxica é muito pequena), o médico pode recomendar que se mantenha o mesmo fabricante durante todo o tratamento. 

Para a grande maioria dos medicamentos, no entanto, a escolha entre referência, genérico ou similar intercambiável não afeta o resultado do tratamento. 

Perguntas frequentes sobre genéricos, similares e de referência 

  1. Qual a diferença entre genérico e similar?
    O genérico é sempre intercambiável com o medicamento de referência e não tem marca. O similar tem marca e só é intercambiável se tiver comprovado equivalência perante a Anvisa.
  2. O medicamento original é sempre melhor?
    Não. Ele foi o primeiro a ser desenvolvido, mas o genérico comprovou ter o mesmo efeito terapêutico. A escolha depende de custo, disponibilidade e orientação médica.
  3. Posso substituir um medicamento de marca por um similar?
    Só se o similar for classificado como intercambiável pela Anvisa. Caso contrário, a substituição requer orientação médica.
  4. O similar é mais barato que o genérico?
    Nem sempre. O genérico tende a ser mais barato porque não tem marca e não investe em marketing. Os similares têm preços variados.
  5. Como sei se um similar é intercambiável?
    A embalagem deve trazer a frase “Medicamento similar equivalente ao medicamento de referência”.
  6. Por que existem similares que não são intercambiáveis?
    Porque alguns ainda não concluíram os testes de equivalência exigidos pela Anvisa. Com o tempo, todos devem se adequar.
  7. Genérico e similar podem ser usados em tratamentos contínuos?
    Sim. Desde que sejam intercambiáveis com o medicamento de referência, podem ser usados em qualquer tratamento.
  8. O que fazer se o médico escrever “não substituir” na receita?
    Nesse caso, o farmacêutico não pode trocar o medicamento. A orientação do médico deve ser seguida.
Fontes: 
  1. MEDLEY. Mitos e verdades sobre os genéricos. Disponível em: https://www.medley.com.br/blog/saude-fisica/mitos-e-verdades-sobre-genericos;
  2. BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. Medicamentos genéricos. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/medicamentos-genericos-4/;
  3. LIVROS DO CREMESP. Manual dos medicamentos genéricos. Disponível em: https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes_capitulos&cod_capitulo=67;
  4. PRINCEWATERHOUSECOOPERS. The pharmaceutical industry in Brazil. Brazil, pág 8. 2013. Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/publicacoes/setores-atividade/assets/saude/pharma-13-ingles.pdf.

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