Pedra nos rins: como identificar, tratar e evitar que ela volte

Bianca Azevedo

Pedra nos rins: como identificar, tratar e evitar que ela volte

Você sente uma dor forte nas costas, que vem em ondas e não passa. A dor desce para a barriga e para a virilha. Você sente náusea, vontade de vomitar, e uma necessidade constante de urinar. Se você já viveu isso, provavelmente teve uma crise de pedra nos rins. 

A pedra nos rins, ou cálculo renal, é uma das condições mais dolorosas da medicina. E também uma das mais comuns. Estima-se que cerca de 1 em cada 11 pessoas nos Estados Unidos tenha pedra nos rins em algum momento da vida. No Brasil, a prevalência também é significativa, e vem aumentando. 

Mas a boa notícia é que a pedra nos rins pode ser tratada, e a recidiva pode ser prevenida. Entender o que está acontecendo é o primeiro passo. 

O que são pedras nos rins 

Pedras nos rins são formações sólidas compostas por minerais e sais que se acumulam na urina. Elas podem ser do tamanho de um grão de areia ou chegar a vários centímetros. 

A urina normalmente contém substâncias que inibem a formação de cristais. Quando esse equilíbrio se rompe, os cristais se formam e crescem, dando origem à pedra. 

A maioria das pedras se forma nos rins, mas elas podem se deslocar para o ureter, a bexiga e a uretra. 

Os tipos de pedra e suas causas 

Existem quatro tipos principais de pedra nos rins. Conhecer o tipo é essencial para definir a melhor estratégia de prevenção. 

A pedra de oxalato de cálcio é a mais comum. Ela se forma quando o oxalato, presente em alimentos como espinafre, beterraba, castanhas, chocolate e chá preto, se combina com o cálcio na urina. Fatores de risco incluem baixa ingestão de água, dieta rica em sódio, excesso de proteína animal, obesidade e histórico familiar. 

A pedra de ácido úrico está associada a urina ácida. Pessoas com gota, diabetes, obesidade ou que consomem muita proteína animal têm maior risco. 

A pedra de estruvita está relacionada a infecções urinárias de repetição. Bactérias que produzem urease, como Proteus e Klebsiella, alcalinizam a urina e favorecem a formação desse tipo de pedra. Elas podem crescer muito e formar cálculos coraliformes. 

A pedra de cistina é causada por uma doença genética rara chamada cistinúria. Os rins não conseguem reabsorver a cistina, e ela se acumula na urina. 

Os sintomas de pedra nos rins 

O sintoma mais marcante é a dor. Ela costuma começar na região lombar, de um lado só, e pode irradiar para o abdômen e a virilha. É uma dor em cólica, que vem em ondas, e pode ser extremamente intensa. 

Outros sintomas incluem náusea, vômito, sangue na urina, urgência para urinar, ardor ao urinar e sensação de bexiga cheia. 

Se houver infecção, podem aparecer febre, calafrios e urina turva ou com mau cheiro. Febre com cólica renal é uma emergência e exige atendimento imediato. 

Pedras que ficam paradas no rim podem não causar sintomas. Muitas vezes, são descobertas por acaso, em exames de imagem feitos por outros motivos. 

Como é feito o diagnóstico 

O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico. O médico vai perguntar sobre a dor, hábitos alimentares, consumo de água, histórico de pedras e doenças associadas. 

O exame de urina pode mostrar sangue, cristais, leucócitos e o pH. O pH ajuda a identificar o tipo de pedra. 

Exames de sangue avaliam função renal, cálcio, ácido úrico e eletrólitos. 

O exame de imagem é essencial. A tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro. Ela identifica a pedra, o tamanho, a localização e se há obstrução. A ultrassonografia é uma alternativa, especialmente em gestantes e crianças. 

Como é o tratamento de pedra nos rins 

O tratamento depende do tamanho, da localização e dos sintomas. 

A primeira medida é controlar a dor. Anti-inflamatórios são a primeira escolha. Se a dor for muito intensa, podem ser necessários analgésicos mais potentes. 

Pedras menores que 5 milímetros geralmente são eliminadas sozinhas. O médico pode recomendar aumento da ingestão de água e uso de medicamentos que relaxam o ureter, como a tansulosina. 

Pedras entre 5 e 10 milímetros podem precisar de intervenção. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque fragmenta a pedra com ondas de choque, e os fragmentos são eliminados pela urina. 

A ureteroscopia é outra opção. Um aparelho fino é introduzido pela uretra até o ureter, e a pedra é fragmentada com laser e removida. 

Para pedras maiores ou localizadas no rim, a nefrolitotomia percutânea pode ser indicada. Um pequeno acesso é feito na pele das costas até o rim, e a pedra é removida por esse caminho. 

Se houver infecção ou obstrução grave, pode ser necessário colocar um cateter ureteral ou fazer uma nefrostomia para drenar a urina antes de tratar a pedra. 

Como prevenir a recidiva 

A prevenção é a parte mais importante do tratamento, porque pedra nos rins tende a voltar. Cerca de metade das pessoas que têm uma pedra terá outra em até 10 anos. 

Beber água é a medida mais eficaz. A recomendação é atingir volume urinário de pelo menos 2,5 litros por dia. Isso geralmente significa beber entre 2 e 3 litros de líquido por dia. 

Reduzir o sal é essencial. O sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina. 

Moderar a proteína animal ajuda, pois ela aumenta a eliminação de cálcio e ácido úrico. 

Não cortar o cálcio da dieta é uma orientação importante. O cálcio consumido nos alimentos se liga ao oxalato no intestino e reduz sua absorção. Dietas muito pobres em cálcio podem aumentar o risco de pedras. 

Reduzir alimentos muito ricos em oxalato ajuda em casos de pedras de oxalato de cálcio. Cozinhar esses alimentos e descartar a água reduz o teor de oxalato. 

Aumentar o consumo de citrato, presente em frutas cítricas como limão e laranja, ajuda a inibir a formação de cristais. 

Perguntas frequentes sobre pedra nos rins 

  1. Pedra nos rins é perigosa?
    Na maioria dos casos, não é grave, mas pode causar complicações como obstrução, infecção e perda de função renal se não for tratada.
  2. Qual o tamanho de pedra nos rins que sai sozinha?
    Pedras menores que 5 milímetros geralmente são eliminadas espontaneamente. Acima disso, a chance de eliminação espontânea diminui.
  3. Quanto tempo demora para eliminar uma pedra?
    Depende do tamanho e da localização. Pedras pequenas podem sair em dias. Pedras maiores podem levar semanas ou precisar de intervenção.
  4. Pedra nos rins dói o tempo todo?
    Não. A dor geralmente aparece quando a pedra se desloca e obstrui o ureter. Pedras paradas no rim podem não causar dor.
  5. Posso tomar remédio para dissolver a pedra?
    Existem medicamentos que ajudam a dissolver pedras de ácido úrico, mas eles não funcionam para pedras de cálcio. O tratamento depende do tipo de pedra.
  6. Beber cerveja ajuda a eliminar pedra?
    Não. A cerveja pode aumentar a diurese, mas também contém substâncias que podem favorecer a formação de pedras. Água é a melhor escolha.
  7. Quem tem pedra nos rins pode tomar leite?
    Sim. O cálcio do leite e de outros alimentos ajuda a reduzir a absorção de oxalato no intestino, o que pode diminuir o risco de pedras.
  8. Pedra nos rins tem relação com genética?
    Sim. Histórico familiar é um fator de risco importante. Além disso, algumas doenças genéticas, como a cistinúria, causam pedras.
  9. Como saber se a pedra saiu?
    Você pode urinar em um filtro para coletar a pedra. Também é importante fazer exames de imagem para confirmar que não há pedras residuais.
  10. Quando devo procurar atendimento de emergência?
    Se a dor for intensa e não passar com analgésico, se houver febre ou calafrios, se você não conseguir urinar ou se houver vômitos persistentes, procure atendimento imediato.

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