Redescobrindo o corpo: como acolher as mudanças?

Isabelle Macedo Cabral

Redescobrindo o corpo: como acolher as mudanças?

Você já se olhou no espelho e sentiu que a imagem refletida não acompanhava tudo o que você viveu até ali?

Essa sensação é comum durante momentos de transformação: o corpo muda, mas a forma como a mente o percebe nem sempre acompanha o mesmo ritmo.

Momentos como esse podem gerar sentimentos confusos, dúvidas e até inseguranças, e compreender isso faz parte do cuidado com a saúde mental.

Mudanças que vão além do espelho

Durante o processo de emagrecimento, muitas pessoas têm dificuldade em processar as mudanças que acontecem com o corpo.

Essa dificuldade pode se apresentar por meio de comparativos com um “corpo ideal” (aquele que é o objetivo), além do processo de entendimento e aceitação da nova imagem.

A diferença entre o real e o imaginado é resultado da forma como o corpo guarda memórias e das referências sociais que carregamos.

Isso acontece porque a mente continua guiada por padrões antigos e comparações — especialmente em ambientes digitais, onde as imagens são filtradas e idealizadas.

Por exemplo: quando uma pessoa compara fotos recentes com as de outras que estão no mesmo processo de perda de peso, buscando semelhanças no progresso ou até diminuindo as próprias conquistas.

O impacto emocional da comparação

A exposição diária a imagens de “corpos perfeitos” pode distorcer o que entendemos como normal ou saudável.

Essa comparação, faz com que olhemos para o outro como modelo a ser alcançado — o que pode reduzir a autoestimaaumentar a ansiedade diminuir a satisfação com o próprio corpo.

Por isso, desenvolver um olhar mais gentil sobre si, valorizando conquistas e capacidades, é uma forma de proteger a saúde mental.

Um olhar mais gentil sobre si

Cada corpo responde de um jeito e o processo de adaptação às mudanças físicas exige tempo, cuidado e paciência. O corpo não é só aparência, é movimento, funcionalidade expressão.

Quantas vezes você se elogiou por algo que o seu corpo fez, e não apenas por como ele se mostra no espelho?

Praticar essa apreciação corporal está ligado a níveis mais altos de bem-estar emocional e menor insatisfação com a aparência.

Você pode começar com pequenas perguntas no dia a dia:

  • “O que o meu corpo me permitiu fazer hoje?”
  • “Qual parte de mim eu posso agradecer por estar aqui agora?”

Essas perguntas mudam o foco da aparência para a experiência — e isso fortalece a autocompaixão e o senso de progresso real, mesmo quando as transformações ainda estão acontecendo.

O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

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Referência bibliográfica:

Merino, M. et al. Body perceptions and psychological well-being: a review of the impact of social media and physical measurements on self-esteem and mental health with a focus on body image satisfaction and its relationship with cultural and gender factors. Healthcare, v. 12, n. 1396, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/healthcare12141396.

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