
Olho Seco Pós-Cirurgia: como cuidar
Isabelle Macedo Cabral

O olho seco é uma doença da superfície ocular caracterizado por alteração da qualidade da lágrima e inflamação, resultando em prejuízos à saúde dos olhos. No Brasil estima-se que 12,8% da população conviva com a doença, segundo a Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS), e é possível que esse número aumente nos próximos anos em decorrência ao estilo de vida moderno (uso de telas, poluição, ar condicionado…).
A seguir, a gente te conta tudo sobre esse problema.
Sintomas do olho seco
Os principais sintomas são:
- olho vermelho;
- ardência;
- sensação de areia nos olhos;
- embaçamento. 1-6
Olho seco X cirurgias: por que ocorre
Estudos mostram que olho seco é a complicação mais comum nas cirurgias para correção de grau (refrativa), ocorrendo também nas cirurgias de pálpebra, glaucoma, estrabismo e retina. Também apontam que cerca de 37% dos pacientes, ainda segundo a APOS, desenvolvem olho seco após cirurgia de catarata, e aqueles que já apresentam a doença podem piorar após o procedimento.
Sabe- se que as cirurgias oftalmológicas induzem alterações na anatomia e função das estruturas oculares que podem desencadear ou piorar a doença do olho seco. Alguns medicamentos utilizados nesses procedimentos e/ou prescritos no pós-operatório também são responsáveis por danos à superfície dos olhos, contribuindo para o desenvolvimento dos sintomas.
Predisposição
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de olho seco após a cirurgia são:
- sexo feminino;
- idade maior que 60 anos;
- doenças sistêmicas (como diabetes);
- uso de medicações sistêmicas (como anti-hipertensivos e anti-alérgicos);
- doenças psiquiátricas;
- uso de telas;
- alterações pré-existentes do filme lacrimal.
Assim, é de suma importância que antes de uma cirurgia ocular o oftalmologista realize um exame detalhado e completo para avaliação de fatores predisponentes e diagnóstico do olho seco, já que esta doença tem o potencial de comprometer o resultado cirúrgico.
Quando realizado o tratamento do olho seco antes de um procedimento garante-se menor dano ocular e melhor resultado cirúrgico.
Tratamento para olho seco
Para pacientes mais suscetíveis, devem ser prescritos colírios lubrificantes de forma rigorosa, de preferência sem conservantes, já que esses são potencialmente tóxicos para as estruturas oculares e pioram a estabilidade da lágrima. Também deve-se priorizar o uso de colírios com hialuronato de sódio que, além de ter alto poder de lubrificação e hidratação, ajudam na cicatrização da córnea quando esta é lesada pela falta de lágrima. Quanto maior a concentração de ácido hialurônico no colírio, maior sua efetividade.
Em pacientes com olho seco mais grave também podem ser necessários colírios anti-inflamatórios e outros tipos de tratamento, como plugues lacrimais e terapia de luz pulsada.
No pós-operatório, o médico oftalmologista deve estar atento aos sinais e sintomas do olho seco, iniciando o tratamento quando necessário.
Portanto o acompanhamento médico e o uso de colírios conforme recomendação é essencial para o sucesso de uma cirurgia oftalmológica!
Na dúvida, converse com seu oftalmologista.
Referências
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