Custa caro ser saudável?
fcsilveira

A decisão de ter uma alimentação saudável nem sempre é um processo simples para todo mundo. São preocupações com os gostos, quantidades, restrições, adaptação da rotina e, principalmente, o preço dos alimentos,
Frutas, verduras, alimentos frescos e refeições preparadas em casa podem parecer mais caros do que produtos prontos ou ultraprocessados. Mas essa percepção corresponde ao que acontece quando olhamos para a alimentação como um todo?
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) ajudam a colocar essa comparação em perspectiva.
Comer saudável pode custar menos do que imagina
Um estudo que comparou a alimentação atual da população brasileira com uma dieta baseada nas recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira encontrou uma diferença importante.
A dieta baseada no Guia custava, em média, R$ 4,90 por 1.000 kcal, enquanto a alimentação atual custava R$ 5,60 por 1.000 kcal.
Se estimarmos um valor de R$ 70, podemos imaginar uma pizza grande de calabresa com queijo, que rende 8 fatias e tem cerca de 3.600 kcal.
Com esse mesmo valor de R$ 70, é possível ir ao mercado e comprar:
- 1kg de arroz por R$ 5,50
- 1kg de feijão preto por R$ 6,50
- 1kg de filé de peito de frango por R$ 20
- 1 dúzia de ovos por R$ 10,50
- 1kg de banana prata por R$ 6,50
- 500g de aveia em flocos por R$ 6,00
- 1kg de batata inglesa por R$ 5,50
- 1 maço de alface + 1kg de tomate por R$ 7,50
O custo total para essa compra é de R$ 68 (valores aproximados, sem considerar regiões do país e variações de preço).
Essa lista de alimentos pode fornecer combinações equilibradas e nutritivas do café da manhã ao jantar, mantendo a mesma quantidade calórica da pizza (3600 kcal), só que para um dia completo.
Isso significa que, nessa comparação, a dieta baseada no Guia pode sair mais barata e vantajosa, visto que alguns alimentos e preparações ainda podem durar para além de um dia.
De onde vem a impressão de que comer bem é mais caro?
O preço de um alimento isolado não conta toda a história.
Quando a comparação considera o conjunto da alimentação, os alimentos ultraprocessados e a carne vermelha foram os que mais contribuíram para o custo elevado da dieta atual.
Frutas e vegetais, por outro lado, foram os que menos contribuíram para esse custo.
Ou seja, olhar apenas para o preço de um alimento pode dar uma impressão diferente daquela encontrada quando se avalia a dieta como um todo.
Referências:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: https://ibge.gov.br. Acesso em: 19 ago. 2026.
Differences in the Cost and Environmental Impact Between the Current Diet in Brazil and Healthy and Sustainable Diets: A Modeling Study.Nutrition Journal. 2024. Caldeira TCM, Vandevijvere S, Swinburn B, Mackay S, Claro RM.
Consumption of Ultra-Processed Foods in Brazil: Distribution and Temporal Evolution 2008-2018.Revista De Saude Publica. 2022. Louzada MLDC, Cruz GLD, Silva KAAN, et al.
Avoidable Diet-Related Deaths and Cost-of-Illness With Culturally Optimized Modifications in Diet: The Case of Brazil. PloS One. 2023. Verly E, Machado ÍE, Meireles AL, Nilson EAF.





