Doenças cardiovasculares: saiba quais exames fazer para se prevenir
Bianca Azevedo

Este mês é comemorado o Dia Mundial do Coração, celebrado anualmente em 29 de setembro. Mas a data não é apenas para homenagear o órgão que nunca para de bater. É um alerta global: as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, e a maioria dos eventos fatais ocorre em pessoas que não tinham sintomas prévios e muitas vezes nem sabiam que estavam doentes.
A boa notícia é que os exames que podem detectar esses riscos estão disponíveis em qualquer laboratório — mas o problema é que muitas vezes eles são interpretados de forma isolada, perdendo a visão do conjunto. Veja aqui o que você precisa saber.
Além dos números: o que seus exames dizem
A prevenção cardiovascular moderna não se baseia mais em olhar para o colesterol, a glicemia e a pressão como ilhas isoladas. A ideia é entender que esses indicadores interagem entre si — e que o risco final é muito maior do que a soma das partes. Quando você soma uma glicemia levemente alterada, um colesterol LDL um pouco acima do ideal e uma pressão arterial no limite superior, você não está com “três problemas leves”. Você está com um problema grave que se alimenta de si mesmo.
Colesterol e a ciência das partículas: o LDL é o “colesterol ruim”, mas o que poucos sabem é que o tamanho e o número dessas partículas importam tanto quanto o valor total. Partículas de LDL pequenas e densas são muito mais aterogênicas (ou seja, entopem mais as artérias) do que partículas grandes e fofas. Por isso, a apolipoproteína B (ApoB), que mede o número total de partículas aterogênicas no sangue, está emergindo como um preditor mais preciso de risco cardiovascular do que o LDL isolado. Se seu LDL está “ok” mas sua ApoB está alta, você pode estar com um risco subestimado — e seu coração pode estar pagando o preço por isso.
Glicemia: o dano cumulativo que você não vê: O exame de glicemia de jejum captura apenas um instante no tempo — o nível de açúcar naquele momento específico. Mas o que realmente importa para o coração é a exposição prolongada à hiperglicemia ao longo dos anos. É aí que entra o exame de hemoglobina glicada (HbA1c), que funciona como uma “média móvel” dos últimos três meses. Estudos demonstram que cada aumento de 1% na HbA1c está associado a um incremento de 15% a 20% no risco de doença cardiovascular. Ou seja, mesmo que sua glicemia de jejum esteja dentro dos limites, uma HbA1c persistentemente elevada já está danificando seus vasos sanguíneos de forma silenciosa e cumulativa.
Pressão arterial: o assassino silencioso dos vasos: O coração bombeia sangue contra a resistência das artérias. Quando essa resistência aumenta (pressão alta), o coração precisa trabalhar mais forte, e as artérias sofrem microlesões constantes. Essas lesões são o ponto de partida para o acúmulo de colesterol — é como se a pressão alta criasse “arranhões” na parede interna dos vasos, e o colesterol se alojasse nesses arranhões. O resultado é a placa aterosclerótica. O que muitos não sabem é que o risco cardiovascular começa a aumentar a partir de níveis de pressão que ainda são considerados “normais” — como 115/75 mmHg. Portanto, não espere chegar em 140/90 para se preocupar; o dano já está ocorrendo bem antes.
Lista de exames para um check-up cardiovascular completo
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Exames Laboratoriais de Sangue (avaliam fatores de risco)
Estes são os exames básicos, solicitados na maioria dos check-ups para identificar riscos silenciosos.
Perfil Lipídico (Lipidograma): Avalia as gorduras do sangue, fundamentais para prever o risco de aterosclerose (entupimento das artérias). Para ter isso, peça:
- Colesterol Total
- LDL-colesterol (“colesterol ruim”)
- HDL-colesterol (“colesterol bom”)
- Triglicerídeos
- Apolipoproteína B (ApoB)
Avaliação Glicêmica (Diabetes): Essencial para rastrear o diabetes e o pré-diabetes, condições que dobram o risco de doenças cardíacas. Faça os exames:
- Glicemia de Jejum
- Hemoglobina Glicada (HbA1c)
Função Renal e Outros: avaliam órgãos interligados à saúde cardiovascular.
- Creatinina e Ureia
- Potássio e Sódio
- Hemograma Completo
- TSH e T4 Livre
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Exames de Imagem e Funcionais (avaliam a estrutura e o ritmo do coração)
Exames que avaliam o coração em ação e em repouso.
- Eletrocardiograma (ECG)
- Ecocardiograma
- Teste Ergométrico (Teste de Esforço ou “Esteira”)
- Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA
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Exames Complementares (para aprofundar a investigação)
Solicitados em casos específicos, quando há maior suspeita de risco ou doença.
- Biomarcadores Cardíacos (Proteína C-reativa, NT-proBNP e Troponina de Alta Sensibilidade)
- Escore de Cálcio das Coronárias (Tomografia)
- Holter 24 horas
- Urina Tipo 1
Os fatores de risco: o que depende de você e o que não depende
A Federação Mundial do Coração dividiu os fatores de risco em duas categorias: os que você pode mudar e os que você precisa conhecer para agir de forma preventiva.
Fatores que você pode mudar (e que fazem toda a diferença):
A má alimentação, especialmente o consumo excessivo de gorduras saturadas, açúcares refinados e ultraprocessados, é a base da pirâmide do risco cardiovascular. Uma dieta baseada em vegetais, fibras, gorduras insaturadas (como azeite e peixes) e grãos integrais pode reduzir o risco em até 30%.
O sedentarismo é outro fator modificável poderoso: a OMS recomenda 150 minutos de atividade física moderada por semana. A obesidade, especialmente o acúmulo de gordura na região abdominal, é um fator de risco independente — e não é à toa que a circunferência abdominal é um marcador tão importante quanto o IMC.
A hipertensão, o colesterol elevado e o diabetes são controláveis com medicamentos e mudanças no estilo de vida. E o tabagismo, o mais agressivo dos fatores modificáveis, eleva o risco de infarto em até 300% — e parar de fumar reduz esse risco pela metade em apenas um ano.
Fatores que você não pode mudar (mas precisa monitorar):
A idade é o fator de risco não modificável mais universal: a partir dos 55 anos, o risco cardiovascular dobra a cada década. O sexo também importa: homens são mais vulneráveis em idades mais jovens, mas as mulheres, após a menopausa, perdem a proteção hormonal e passam a ter risco semelhante ao dos homens.
O histórico familiar é outro elemento crucial — se você tem um parente de primeiro grau que sofreu infarto ou AVC antes dos 55 anos (homens) ou 65 (mulheres), seu risco genético é substancialmente maior e exige um check-up mais precoce e mais rigoroso. A genética também pode determinar níveis elevados de lipoproteína (a) [Lp(a)], um fator de risco hereditário que não responde a dieta ou exercício e está associado a maior risco de eventos cardiovasculares, independentemente do colesterol LDL.
Faça seus exames na Raia
Na Raia, você pode fazer exames como aferição de pressão, colocação de sensor FS Libre, teste de glicemia (gratuito de 01/09 até 31/10, exceto em João Pessoa) e eletrocardiograma.
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