Será que sua caneta injetável está mesmo fazendo efeito?

fcsilveira

Será que sua caneta injetável está mesmo fazendo efeito?

Você começou a usar um medicamento injetável para perda de peso e está esperando perceber a mudança, que ainda não aconteceu. 

Com isso, algumas perguntas surgem à mente: será que o tratamento está funcionando plenamente? A dosagem está certa? Estou fazendo algo de errado? 

O que se vê na balança ou no espelho são alguns indicadores da eficácia do medicamento, mas não os únicos. Além da quantidade de peso perdida, é fundamental observar as modificações no corpo, na fome, na saciedade e na saúde como um todo. 

E existe outro ponto: a resposta não acontece necessariamente no mesmo ritmo para todas as pessoas. 

 O que pode indicar que o tratamento está funcionando? 

A perda de peso é um dos principais resultados acompanhados durante o tratamento. 

Uma perda de pelo menos 5% do peso inicial é considerada clinicamente significativa. Por exemplo: para uma pessoa que pesa 100 kg, isso corresponde a eliminar 5 kg na balança logo nas primeiras semanas do uso da caneta injetável. 

Embora esse efeito do medicamento seja mais fácil de identificar, algumas mudanças só são sinalizadas em avaliações de saúde, como: 

  • taxas de glicemia (açúcar no sangue) mais equilibradas 
  • níveis de pressão arterial dentro do padrão da normalidade 
  • diminuição do colesterol ruim e do acúmulo de gordura no fígado  

O que esperar a longo prazo 

A perda de peso não acontece de uma vez, mas gradualmente: 

  • Primeiros 3 meses: perda de 4% a 6% do peso inicial 
  • Aos 6 meses de medicamento: perda de 6% a 10% 
  • Aos 12 meses de uso: muitas pessoas atingem de 8% a 15% de perda de peso 
  • Após 12 a 18 meses: o peso tende a estabilizar em um novo patamar 

A perda é mais rápida no início e vai desacelerando naturalmente, o que é esperado e não significa que o tratamento parou de funcionar. Isso indica que o corpo está respondendo de diversas formas ao medicamento para além do que medido na balança.  

Sinais de que o tratamento está funcionando 

No corpo: 

  • Roupas mais folgadas 
  • Redução da circunferência da cintura 
  • Diminuição do inchaço 

Na relação com a comida: 

  • Menos fome ao longo do dia 
  • Sensação de saciedade mais rápida durante as refeições 
  • Diminuição dos pensamentos constantes sobre comida (o chamado food noise) 
  • Menos vontade de comer doces ou alimentos calóricos 
  • Maior facilidade para controlar porções 

Na saúde: 

  • Mais disposição e energia 
  • Melhora no sono 
  • Redução da pressão arterial 
  • Melhora nos exames de sangue (glicose, colesterol, triglicerídeos) 
  • Menos dores nas articulações 

Fatores que influenciam os resultados 

Cada pessoa pode responder de uma maneira ao tratamento. 

Alguns fatores podem influenciar os resultados, como a presença ou não de diabetes, o peso inicial, o sexo biológico, a adesão à medicação e às mudanças no estilo de vida. 

Diante disso, comparar a própria evolução com a de outra pessoa pode não ser uma boa forma de avaliar o tratamento.” 

Quando conversar com a equipe de saúde 

O acompanhamento profissional ajuda a entender se a resposta ao tratamento está dentro do esperado e se é necessário fazer algum ajuste. 

Converse com a equipe de saúde se: 

  • não houver perda de pelo menos 5% do peso após 3 a 4 meses na dose adequada 
  • os efeitos colaterais forem intensos ou persistentes 
  • houver dificuldade para manter a medicação regularmente 
  • ocorrer recuperação de peso depois de uma fase inicial de perda 

Importante: não interrompa ou altere o tratamento por conta própria. Isso só pode ser feito com prescrição médica. 

Dicas para potencializar os resultados 

O medicamento é uma parte do tratamento, que combina alimentação saudável, atividade física regular, sono adequado e hidratação regular. 

Mais importante do que procurar um único sinal de resultado é acompanhar a evolução ao longo do tempo. 

Converse com a equipe de saúde sobre suas expectativas, mudanças percebidas e dúvidas. Assim, o tratamento pode ser acompanhado de acordo com as suas necessidades. 

Referências:

The Physiology of Hunger. Fasano A. The New England Journal of Medicine. 2025;392(4):372-381. doi:10.1056/NEJMra2402679. 

Peptides and Food Intake. Sobrino Crespo C, Perianes Cachero A, Puebla Jiménez L, Barrios V, Arilla Ferreiro E. Frontiers in Endocrinology. 2014;5:58. doi:10.3389/fendo.2014.00058. 

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