Calor, dengue e AVC: como o El Niño afeta a saúde dos brasileiros e como se proteger
fcsilveira

Enquanto o debate sobre o “Super El Niño” de 2026 se concentra nos efeitos climáticos — chuvas extremas no Sul, seca no Norte e Nordeste, ondas de calor no Sudeste —, especialistas em saúde pública chamam atenção para uma consequência menos visível, mas igualmente grave: o impacto direto do fenômeno na saúde da população brasileira.
O alerta sobre arboviroses
Em nota técnica publicada em julho, o Ministério da Saúde alertou estados e municípios sobre o risco de aumento na transmissão de arboviroses como dengue e chikungunya em decorrência dos impactos climáticos do El Niño. Segundo projeções do InfoDengue, o Brasil pode registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
O motivo é climático: o aumento das temperaturas combinado a chuvas intensas em algumas regiões e estiagens em outras favorece o armazenamento inadequado de água — seja pela necessidade de estocá-la durante a seca, seja pelo acúmulo em recipientes após temporais —, criando condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Calor extremo: o efeito no coração e no cérebro
Temperaturas muito altas ou muito baixas alteram o funcionamento do sistema cardiovascular. O calor intenso causa desidratação, o que afeta os níveis de colesterol e reduz o fluxo sanguíneo — mecanismo que, assim como o frio (que contrai os vasos e eleva a pressão arterial), aumenta o risco de infarto e AVC.
No Brasil, um levantamento da Fiocruz em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), divulgado em junho de 2026, atribuiu mais de 120 mil mortes a fatores relacionados a temperaturas extremas no país.
Fumaça de queimadas e saúde mental
O aumento das temperaturas favorece ainda a formação de poluentes que irritam as vias aéreas, como o ozônio troposférico, e intensifica fenômenos associados ao El Niño — secas, queimadas e chuvas extremas — que pioram a qualidade do ar, agravando quadros respiratórios como asma e bronquite. Especialistas também apontam que eventos climáticos extremos, como enchentes e secas prolongadas, têm relação com o aumento de casos de ansiedade e outros problemas de saúde mental nas populações afetadas, sobretudo entre quem perde moradia ou meio de subsistência.
Como se proteger
Diante desse cenário, veja orientações práticas por tipo de risco:
- Contra a dengue e outras arboviroses: usar repelentes à base de DEET, icaridina ou IR3535 (compre aqui), instalar telas em portas e janelas em áreas de risco e eliminar focos de água parada. A vacina contra a dengue está disponível na raia sob agendamento.
- Contra o calor extremo: hidratação frequente com água, uso de soro de reidratação oral (compre aqui) em casos de perda intensa de líquidos, roupas leves e protetor solar (compre aqui), além de evitar exposição direta ao sol nos horários de pico.
- Contra a má qualidade do ar por queimadas: uso de máscaras PFF2/N95 (compre aqui) em dias de fumaça intensa e manutenção da medicação de uso contínuo para quem tem asma ou DPOC, sempre conforme prescrição médica.
Sinais de alerta
Procure atendimento médico imediato diante de dor no peito, falta de ar, confusão mental ou febre alta que não cede — sintomas que podem indicar desde insolação até complicações cardiovasculares ou infecciosas.
Para o uso de qualquer medicamento — inclusive analgésicos e antitérmicos de venda livre — a recomendação de especialistas é seguir estritamente a bula ou a orientação de um médico ou farmacêutico, evitando automedicação em quadros mais graves.
Fontes
Nota técnica do Ministério da Saúde (julho de 2026);
Estudo publicado na revista Neurology (2024);
Boletim conjunto Inmet/Inpe/ANA/Cemaden/SGB/Sedec (2026);
Super El Niño em 2026: o que esperar e porque precisamos nos preparar. Greenpeace Brasil.





