Por que quem tem diabetes faz tantos exames?
Maiara Ferreira

Depois do diagnóstico, muita gente se surpreende com a quantidade de exames que passam a fazer parte da rotina.
Além da glicemia, aparecem pedidos para avaliar colesterol, rins, urina, visão e até os pés.
Se você já se perguntou por que tudo isso é necessário, saiba que existe uma explicação.
O diabetes pode afetar diferentes partes do organismo ao longo do tempo, muitas vezes sem provocar sintomas no início. Por isso, o acompanhamento serve para identificar pequenas alterações antes que elas se transformem em problemas maiores.
A glicose conta apenas uma parte da história
O acompanhamento da glicose (açúcar no sangue) está diretamente relacionado a dois principais exames: glicemia em jejum (ou capilar) e hemoglobina glicada (HbA1c).
- A glicemia é recomendada para aferições pontuais, pois ela mostra como está a glicose naquele momento.
- No caso da hemoglobina glicada (HbA1c), a avaliação é mais aprofundada, pois revela a média da glicose nos últimos dois a três meses.
Esses exames ajudam a acompanhar o diabetes, mas não conseguem mostrar, sozinhos, como o corpo está respondendo de forma geral ao longo do tempo.
É por isso que eles são apenas uma parte do acompanhamento.
O que os outros exames ajudam a proteger
Além da glicose, o acompanhamento costuma incluir avaliações que ajudam a cuidar de diferentes órgãos.
Coração e vasos sanguíneos
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), quem convive com diabetes tem maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Por isso, acompanhar a pressão arterial e o perfil lipídico faz parte da rotina, mesmo quando não há sintomas.
Rins
Os rins funcionam como filtros do organismo e também podem ser afetados pela glicose elevada ao longo dos anos.
Exames de sangue e de urina conseguem detectar alterações precoces, permitindo iniciar o cuidado antes que a função renal seja comprometida.
Olhos
A retina pode sofrer alterações silenciosas relacionadas ao diabetes.
O exame oftalmológico periódico permite identificar essas mudanças ainda nas fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento são maiores.
Pés
O diabetes pode reduzir a sensibilidade dos pés. Quando isso acontece, pequenos machucados podem passar despercebidos.
Por esse motivo, a avaliação dos pés faz parte das consultas e a observação diária em casa também é recomendada.
Hábitos que protegem o corpo inteiro
Embora cada avaliação observe um órgão diferente, os cuidados que ajudam a protegê-los costumam ser os mesmos. Entre eles estão:
- manter a glicose dentro das metas definidas pela equipe de saúde
- acompanhar pressão arterial e colesterol
- praticar atividade física regularmente
- não fumar e evitar a ingestão de bebida alcoólica
- seguir corretamente o tratamento prescrito
Ou seja, um único hábito saudável beneficia várias partes do organismo ao mesmo tempo.
Mesmo sem sintomas, vale manter o acompanhamento
Um dos maiores desafios do diabetes é que muitas alterações começam de forma silenciosa.
Por isso, manter em dia exames como glicemia, hemoglobina glicada, função renal, exame de urina, perfil lipídico, avaliação oftalmológica e avaliação dos pés faz parte do cuidado contínuo.
Essas avaliações não existem porque o diabetes afeta todo mundo da mesma forma, mas porque permitem acompanhar a sua saúde de perto e agir antes que pequenas alterações se tornem complicações.
Sempre que surgir alguma dúvida sobre o acompanhamento do diabetes, converse com sua equipe de saúde.
O farmacêutico da Raia também pode te orientar sobre os exames, o tratamento e os cuidados que fazem parte dessa jornada.
Referências:
- Standards of Care in Diabetes. American Diabetes Association. (2026).
- Manejo do risco cardiovascular e dislipidemia. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. Sociedade Brasileira de Diabetes. (2023).
- Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Rached, F. H. et al. (2025). Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 122(9), e20250640.





