O que você precisa saber sobre o câncer colorretal e como se proteger

Isabelle Macedo Cabral

O que você precisa saber sobre o câncer colorretal e como se proteger

O câncer colorretal é o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma. Estima-se que, a cada ano, mais de 45 mil brasileiros recebam esse diagnóstico. 

A boa notícia? Quando detectado precocemente, as chances de cura são altíssimas. 

Entenda os sinais, os fatores de risco e saiba quando procurar um médico. 

O que é o câncer colorretal 

Nosso intestino grosso é composto por duas partes principais: o cólon (a parte maior, com cerca de 1,5 metro) e o reto (a parte final, com cerca de 15 centímetros). O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve em qualquer uma dessas regiões. 

A maioria desses tumores começa de forma silenciosa, a partir de pequenas “verruguinhas” na parede do intestino, chamadas pólipos. Inicialmente, esses pólipos são benignos, ou seja, não são câncer. No entanto, com o passar dos anos, alguns tipos de pólipos podem sofrer transformação e se tornar malignos. 

A grande sacada é que, se esses pólipos forem encontrados e removidos durante um exame, o câncer é prevenido antes mesmo de aparecer. É exatamente aí que mora a importância dos exames de rotina. 

Fatores de risco: quem deve ficar mais atento 

Algumas situações aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver câncer colorretal. Conhecê-las é o primeiro passo para a prevenção. 

Você tem controle sobre estes fatores (pode mudar): 

A alimentação é um dos pontos mais importantes. Dietas ricas em carnes processadas (salsicha, linguiça, bacon, presunto, nuggets) e pobres em fibras (presentes em frutas, verduras, legumes e grãos integrais) aumentam o risco. O sedentarismo e o excesso de peso também são grandes vilões. Manter-se ativo e controlar o peso corporal são medidas protetoras. O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também elevam significativamente as chances de desenvolver a doença. 

Você não tem controle sobre estes fatores, mas precisa saber deles: 

A idade é o principal fator de risco. A grande maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 50 anos. No entanto, tem havido um aumento de casos em pessoas mais jovens, o que acende um sinal de alerta. O histórico familiar também pesa. Se você tem pai, mãe, irmão ou filho com histórico de câncer colorretal, seu risco é maior. Além disso, algumas síndromes genéticas hereditárias, como a Síndrome de Lynch, predispõem ao desenvolvimento precoce da doença. 

Sinais que não devem ser ignorados 

Nas fases iniciais, o câncer colorretal geralmente não dá sintomas. Por isso, os exames de rotina são tão importantes, mesmo quando você se sente bem. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir: 

Sangue nas fezes: Este é o sinal de alerta mais importante. Pode ser sangue vermelho-vivo ou fezes mais escuras. Não ignore ou atribua automaticamente a hemorroidas sem investigação médica. 

Alteração persistente do intestino: Diarreia ou prisão de ventre que duram vários dias, ou a alternância entre os dois, merecem atenção. 

Mudança no formato das fezes: Fezes mais finas ou estreitas que o normal podem indicar que algo está obstruindo a passagem. 

Sensação de não esvaziar completamente o intestino: A sensação persistente de que o reto ainda está cheio após evacuar. 

Dor ou desconforto abdominal: Cólicas, dor localizada ou sensação de inchaço. 

Perda de peso e cansaço inexplicados: Emagrecer sem ter feito dieta e sentir-se cansado ou fraco o tempo todo podem ser sinais de que algo não vai bem. 

Lembre-se: ter um ou mais desses sintomas não significa que você tem câncer. Mas é motivo mais do que suficiente para marcar uma consulta médica e investigar a causa. 

Como se proteger: um plano de ação prático 

Você não é refém do destino. A ciência mostra que a maioria dos casos de câncer colorretal pode ser prevenida com hábitos saudáveis e exames regulares. 

No seu dia a dia, adote estas medidas: 

Alimente-se melhor. Aumente o consumo de fibras: coma mais frutas com casca, verduras, legumes, feijão, lentilha, aveia e arroz integral. Reduza as carnes processadas (salsicha, linguiça, bacon, presunto) e o consumo de carnes vermelhas. Troque o refrigerante por água e evite alimentos ultraprocessados. 

Mexa-se. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Isso dá cerca de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. Uma caminhada rápida já conta. 

Cuide do seu peso. A perda de peso, mesmo que modesta, reduz o risco de diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal. 

Corte o cigarro e modere o álcool. O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido. Se você fuma, procure ajuda para parar. O consumo de álcool também deve ser moderado ou evitado. 

Faça os exames de rastreamento. A recomendação atual é que homens e mulheres com risco médio comecem o rastreamento aos 45 anos. O exame mais completo e eficaz é a colonoscopia. Ele permite que o médico visualize todo o intestino grosso e, se encontrar pólipos, remova-os na hora, prevenindo o câncer. 

O que esperar do diagnóstico e tratamento 

Receber o diagnóstico de câncer é assustador, mas é importante saber que o tratamento evoluiu muito. O caminho depende do estágio da doença e da localização do tumor. 

A cirurgia para remover a parte do intestino afetada pelo tumor é o tratamento principal e curativo para a maioria dos casos. Em muitos casos, especialmente quando o câncer é detectado precocemente, a cirurgia pode ser curativa sem necessidade de tratamentos adicionais. 

Dependendo do estágio, o médico pode recomendar quimioterapia (para eliminar células cancerosas remanescentes) e, em casos de câncer de reto, radioterapia. No Sistema Único de Saúde (SUS), todas essas opções de tratamento estão disponíveis. 

Conclusão 

câncer colorretal é uma doença grave, mas não é um destino inevitável. Você tem o poder de reduzir drasticamente seu risco com escolhas saudáveis no dia a dia e, o mais importante, com a realização dos exames de rastreamento na idade certa. 

Não espere sentir sintomas. Quando eles aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado. A colonoscopia é um exame que salva vidas, seja por encontrar pólipos e removê-los antes que virem câncer, seja por diagnosticar a doença em seu estágio inicial, quando as chances de cura são máximas. 

Converse com seu médico, avalie seus fatores de risco e faça sua parte. Março é o mês de lembrar, mas o cuidado com a saúde intestinal deve ser uma preocupação o ano inteiro. 

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