Retatrutida: o que é e para quem é indicada a nova medicação para emagrecimento

Bianca Azevedo

Retatrutida: o que é e para quem é indicada a nova medicação para emagrecimento

Se você abriu uma rede social nos últimos tempos, a impressão que fica é: a retatrutida é a molécula do momento no universo dos medicamentos para perda de peso. Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, a substância tem sido chamada de “Godzilla” entre as canetas emagrecedoras por seus resultados impressionantes em estudos clínicos. Mas com a fama antecipada vêm também dúvidas, riscos e, infelizmente, produtos ilegais circulando. 

Antes de entender por que a retatrutida despertou tanto interesse, é importante deixar claro: ela ainda não foi aprovada pela Anvisa, nem pelo FDA (EUA) ou EMA (Europa). Qualquer produto sendo vendido como retatrutida no Brasil hoje é ilegal e representa um risco à saúde. 

O que é a retatrutida e como ela funciona? 

A retatrutida é um medicamento injetável de aplicação semanal que atua como um agonista triplo. Isso significa que ela imita e ativa simultaneamente três hormônios produzidos naturalmente pelo organismo: 

  1. GLP-1 (Péptido semelhante ao glucagon tipo 1): reduz o apetite, retarda o esvaziamento do estômago e aumenta a sensação de saciedade. 
  1. GIP (Polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose): estimula a liberação de insulina e ajuda a processar os açúcares, reduzindo as náuseas típicas de outros tratamentos. 
  1. Glucagon: aumenta o gasto energético, ajudando o corpo a queimar gordura e acelerando o metabolismo. 

Enquanto a semaglutida (Ozempic/Wegovy) atua em apenas um receptor (GLP-1) e a tirzepatida (Mounjaro) atua em dois (GLP-1 e GIP), a retatrutida é a única que age nos três receptores simultaneamente. É essa ação tripla que, possivelmente, aumenta a potência do medicamento na redução de peso. 

Retatrutida “queima” mais peso que Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida)? 

Medicamento Receptores Perda de peso (estudos) Status no Brasil 
Retatrutida GLP-1, GIP e Glucagon Até 24,2% em 48 semanas  Ainda não aprovado 
Mounjaro (Tirzepatida) GLP-1 e GIP Até 22,5% em 72 semanas Aprovado 
Ozempic/Wegovy (Semaglutida) GLP-1 Até 14,9% Aprovado 

Comparativo baseado em informações da Eli Lilly e especialistas  

Nos estudos, a retatrutida mostrou uma redução de peso muito expressiva — em torno de 24,2% do peso corporal em 48 semanas na dose de 12 mg semanais, o que representa cerca de 29 kg para uma pessoa de 120 kg.  

No entanto, o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, faz uma ressalva: “As diferenças entre a Retatrutida e a Tirzepatida não são significativas pelos estudos (24,2% vs 21,1%). Com relação à Semaglutida, a redução foi de 14,9%, mas em breve também haverá no mercado uma dose maior da Semaglutida, que corresponde a 7,2 mg, cujos resultados são muito semelhantes à Tirzepatida e Retatrutida”. 

Ou seja, ainda não existem estudos comparando diretamente as medicações, e a tirzepatida já é aprovada e testada em populações maiores. 

Quais são os efeitos colaterais da retatrutida? 

Assim como acontece com outros medicamentos que atuam nos receptores GLP-1 e GIP, a retatrutida pode causar alguns efeitos colaterais, especialmente durante as primeiras semanas de tratamento. 

Os efeitos adversos mais relatados nos estudos clínicos incluem: 

  • Náuseas 
  • Vômitos 
  • Diarreia 
  • Constipação intestinal 
  • Desconforto abdominal 
  • Sensação de estômago cheio 
  • Diminuição do apetite 
  • Refluxo ou azia em alguns pacientes 

Em geral, a introdução gradual da dose (titulação) ajuda a reduzir a intensidade desses efeitos. Também foram observados aumentos transitórios da frequência cardíaca durante o tratamento, mas ainda aguardamos dados de longo prazo para compreender completamente o perfil de segurança. 

Quando a retatrutida será aprovada no Brasil? 

A retatrutida ainda está passando por programas de desenvolvimento clínico de fase 3. Esses estudos são justamente aqueles que costumam servir de base para futuras submissões regulatórias. A previsão é que a aprovação possa ocorrer ainda em 2026 ou 2027, dependendo dos resultados dos estudos e da análise dos órgãos reguladores. 

Posso comprar retatrutida no Brasil hoje? 

Não. Sem aprovação da Anvisa, a retatrutida não pode ser comercializada regularmente no país . 

Qualquer oferta de “retatrutida disponível”, “retatrutida manipulada” ou produtos semelhantes deve ser analisada com extremo cuidado. Medicamentos adquiridos por canais não autorizados podem apresentar riscos importantes: 

  • Composição desconhecida 
  • Falsificação 
  • Armazenamento inadequado 
  • Ausência de controle sanitário 

Em abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Heavy Pen, que apreendeu produtos falsificados que não possuem garantia de segurança e eficácia. 

Posso substituir meu Ozempic/Mounjaro pela retatrutida? 

Não faça isso. Como a retatrutida não está aprovada, não há como garantir que a substância que você está comprando é segura ou contém o princípio ativo correto. 

O caminho seguro é aguardar a aprovação e procurar um endocrinologista.

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