
Foundayo, primeira “pílula” para obesidade, é aprovado nos EUA
Isabelle Macedo Cabral

Para milhões de pessoas que convivem com a obesidade, o medo de agulhas sempre foi uma barreira significativa para aderir a tratamentos eficazes, como as conhecidas “canetas emagrecedoras“. Agora, esse cenário pode estar prestes a mudar.
Aprovado no início de abril pelo Food & Drug Administration (FDA), o Foundayo (orforglipron), desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, chega ao mercado com uma proposta inovadora: ser o primeiro agonista GLP-1 oral de molécula pequena que não exige a complicada logística dos antecessores.
A revolução da “Pílula Flexível”
Diferente do Ozempic e do Wegovy (semaglutida) ou do Mounjaro (tirzepatida) — que são peptídeos injetáveis e exigem aplicação semanal — o Foundayo é uma molécula pequena não peptídica. Originalmente descoberto pela japonesa Chugai Pharmaceutical e licenciado pela Lilly em 2018, a grande inovação aqui é a resistência. O comprimido consegue sobreviver à degradação do estômago, algo que sempre foi o “calcanhar de Aquiles” dos GLP-1 orais do passado.
A praticidade é o grande trunfo. Enquanto o comprimido de Wegovy (Rybelsus) exige ser tomado com pouca água e esperar 30 minutos para se alimentar, o Foundayo se destaca pela liberdade. Ele pode ser ingerido a qualquer hora, sem necessidade de jejum ou restrição de líquidos. O FDA aprovou o medicamento para adultos com obesidade (IMC ≥30) ou sobrepeso (IMC ≥27) que apresentem comorbidades.
Importante: Mesmo sendo um comprimido, o Foundayo não é um “doce” para emagrecer. Assim como os injetáveis, ele age diretamente nos receptores de saciedade no cérebro e retarda o esvaziamento gástrico, sendo um medicamento potente que exige prescrição médica.
Números que impressionam
Os resultados clínicos do Foundayo são robustos e mostram que a eficácia não ficou pelo caminho na transição da agulha para o comprimido.
Em um estudo de 72 semanas (cerca de 16 meses), os participantes que tomaram a dose mais alta (equivalente a 17,2 mg) perderam em média 12,4% do peso corporal, contra apenas 0,9% no grupo que recebeu placebo.
Para efeito de comparação, os resultados se aproximam dos obtidos pelos injetáveis. Enquanto o Wegovy, a versão específica para obesidade da semaglutida, alcança perda média de 17% do peso corporal, o Foundayo chega como uma alternativa para quem não tolera as injeções ou tem fobia de agulhas.
Expansão e chegada ao Brasil
O sucesso comercial já é palpável nos Estados Unidos. 80% das prescrições vieram de pacientes que nunca haviam usado um GLP-1 antes, indicando que a pílula está expandindo o mercado, não apenas substituindo as vendas dos injetáveis.
E no Brasil? Embora a Eli Lilly ainda não tenha protocolado o pedido na ANVISA, a previsão do mercado é que o medicamento chegue ao país até o segundo semestre de 2027.
Um ponto que acelera a expectativa é que o orforglipron já foi testado em centros de pesquisa brasileiros. Isso significa que médicos locais já estão familiarizados com o perfil de eficácia e segurança da molécula, o que pode contribuir para uma incorporação mais rápida à prática clínica nacional após o sinal verde da agência reguladora.
Cuidados
Enquanto o Foundayo não chega, o mercado brasileiro já vive uma revolução com os injetáveis. No entanto, o uso indiscriminado e a busca por atalhos estéticos acenderam um alerta na Vigilância Sanitária.
Recentemente, a ANVISA endureceu as regras para a venda de canetas emagrecedoras, exigindo receituário especial e controle rigoroso devido ao aumento de casos de reações adversas e à venda de produtos falsificados. Especialistas reforçam que a mudança no estilo de vida — incluindo dieta balanceada e a prática de atividade física — continua sendo a base de qualquer tratamento duradouro para obesidade, com os medicamentos atuando como aliados nesse processo.
Fontes:
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