
Lesões da monkeypox: dá para diferenciá-las de outras doenças?
Amanda Preto

Umas das principais “marcas registradas” da varíola dos macacos são as feridas na pele, que surgem com outros sintomas: febre, dor muscular, fadiga, falta de ar e inchaço nos gânglios são os desconfortos que acompanham as lesões da monkeypox. No entanto, estes sintomas não são específicos e podem se confundir com outras infecções. Sobretudo as lesões, que são a área mais contagiosa da monkeypox. Com o aumento do número de casos, cresceu o desafio de realizar uma triagem correta: como saber que as lesões da infecção não são de outras doenças?
Características das lesões da monkeypox
De acordo com Ana Karolina Barreto Marinho, membro do Departamento Científico de Imunização da ASBAI, as feridas da monkeypox são bem parecidas com a de outras infecções. Por exemplo, catapora, sífilis e até herpes-zóster podem confundir uma pessoa leiga. No entanto, o ciclo das feridas é diferente, algo que só um especialista pode identificar. “As lesões da monkeypox são profundas e bem circunscritas. Além disso, elas possuem estágios. Começam em formato de pápulas, evoluem para pequenas bolhas e depois se formam crostas até a cicatrização”, descreve. Ou seja, as feridas se parecem com espinhas e surgem de forma difusa ou em áreas específicas. As vesículas podem aparecer sobre a pele, e contêm líquido ou são sólidas e brancas, como se tivessem pus no interior. Cada fase dura, em média, 2 dias, com exceção da final, que perdura até 15 dias (fase das crostas e da cicatrização).
Locais mais afetados pela infecção
“As lesões se localizam mais nas extremidades e podem afetar todo o corpo, incluindo a face, boca, palmas e plantas e órgãos genitais”, comenta a profissional da ASBAI. Às vezes, as marcas surgem primeiro em uma região e “pipocam” para outras em diferentes momentos da infecção. Outra características é que alguns machucados são bem sensíveis ao toque, dependendo da quantidade de lesões. É por isso que as pessoas ficam em dúvida, e é justamente que o auxílio médico deve acontecer logo nos primeiros sintomas. “Afinal, o perigo de transmissão só acaba quando as crostas das lesões desaparecem”, alerta Ana Karolina.
Como saber se realmente tenho lesões da monkeypox ou de outras doenças?
Até mesmo o olhar mais treinado pode ter dificuldade para diferenciar uma infecção da outra. Todavia, Ana Karolina explica que existe uma particularidade na monkeypox. “A febre é um sintoma comum e pode durar cerca de 5 dias. Quando a febre reduz, geralmente as lesões de pele se iniciam. Logo, esse padrão de febre seguido do aparecimento das lesões pode auxiliar no diagnóstico”, afirma.
A princípio, o teste para descobrir a monkeypox precisa da amostra da ferida, que concentra a proliferação do vírus. Também chamado PCR, o resultado demora aproximadamente 5 dias para ficar pronto. Nesse período, o médico aconselha o isolamento até receber o laudo. Caso seja positivo, a pessoa deverá se isolar por 21 dias, que é o ciclo de vida médio da monkeypox.
Como se proteger contra a infecção?
Em nota, o Ministério da Saúde recomenda o uso de máscaras para gestantes, puérperas, crianças e pessoas imunossuprimidas, sobretudo em locais com potencial de aglomeração, aeroportos e aviões. No entanto, tais orientações podem ser seguidas por todos, visto que a monkeypox afeta qualquer um. Outras medidas que auxiliam na prevenção:
- Evitar o contato com pessoas suspeitas de contaminação ou confirmadas.
- Reforçar os cuidados com a higiene, como lavar as mãos e manter o uso do álcool em gel.
- Não dividir objetos pessoais com outras pessoas.
- Utilizar preservativo nas relações sexuais.
- Ao viajar, redobre a cautela e se informe sobre a situação da doença no país de destino.
- Manter a máscara em locais fechados, como academias e transportes.
Fonte: Ana Karolina Barreto Marinho, membro do Departamento Científico de Imunização da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
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