Neurocosméticos: eles cuidam do seu humor e beleza ao mesmo tempo
Camila Rubim

A indústria da beleza evoluiu. Não se trata mais apenas de hidratar ou tratar rugas, mas de proporcionar uma experiência sensorial completa. É nesse contexto que os neurocosméticos ganham destaque, unindo o cuidado estético com a sensação de bem-estar. A promessa é atuar na conexão entre a pele, os cabelos e o cérebro, potencializando resultados através das emoções.
O que são e como funcionam?
A premissa dos neurocosméticos é que a pele e o cérebro têm a mesma origem embrionária e estão em constante comunicação. Esses produtos são formulados com ativos que interagem com as terminações nervosas da pele, enviando sinais que podem estimular a liberação de neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, como a endorfina, ou ativar sensações de conforto (como o calor) ou de refrescância.
Ativos que conectam: os ingredientes da emoção
Não se trata de um tipo de produto (como um creme), mas de uma tecnologia aplicada a eles. Você encontrará essa tecnologia em máscaras, séruns, shampoos e outros. Alguns ativos são frequentemente associados a essa abordagem:
- Polifenóis: encontrados no cacau, chá-verde, uva e café, são poderosos antioxidantes que também podem influenciar o humor.
- DMAE (dimetilaminoetanol): conhecido por sua ação lifting e tensor, pode proporcionar uma sensação de firmeza que melhora a percepção da própria imagem.
- Retinol e peptídeos: além de seus comprovados benefícios antienvelhecimento, podem ser combinados com outras moléculas para criar uma experiência sensorial mais completa.
- Óleos essenciais: lavanda (calmante), laranja (energizante) ou alecrim (estimulante) são exemplos de como a aromaterapia é usada para ativar o cérebro e melhorar a sensação de bem-estar durante o cuidado.
A ciência e a experiência: como isso afeta você?
A lógica é que ao sentir uma sensação agradável (um aroma relaxante, uma textura macia, um toque refrescante), seu cérebro libera hormônios do bem-estar. Essa sensação de prazer e relaxamento, por sua vez, pode reduzir os níveis de cortisol (o hormônio do estresse), que é um dos grandes vilões do envelhecimento da pele.
Benefícios diretos: além da estética
- Bem-estar e autoestima: o simples ato de cuidar de si se torna mais prazeroso, melhorando o humor e a relação com a própria imagem.
- Pele e cabelos mais saudáveis: ao reduzir o estresse e promover o bem-estar, o corpo funciona melhor, refletindo na pele (menos inflamação, mais luminosidade) e nos cabelos (menos queda, mais brilho).
- Experiência multissensorial: transforma um momento de beleza em um ritual de autocuidado, ativando os sentidos do tato, olfato e visão de forma integrada.
Onde entra a sensação: um alerta importante
O dermatologista Lucas Miranda destaca que, embora sejam promissores, os estudos sobre a real contribuição do sistema sensorial para a pele ainda não são totalmente conclusivos. Ele faz um alerta crucial: “É importante dizer que o estilo de vida que a pessoa leva é essencial, independente do uso dos produtos. Hábitos saudáveis, como a ingestão adequada de água, os cuidados diários com a pele, o acompanhamento com dermatologista e o uso de protetor solar são a base para uma pele bonita e saudável.” Os neurocosméticos são um complemento valioso, mas não substituem uma rotina de cuidados básicos e uma vida equilibrada.
Fonte:
Lucas Miranda, dermatologista, de Minas Gerais.





