Psoríase capilar: entenda a doença de pele que afeta o couro cabeludo

Isabelle Macedo Cabral

Psoríase capilar: entenda a doença de pele que afeta o couro cabeludo

A revelação da cantora Beyoncé, no ano passado (2024), sobre seu diagnóstico de psoríase capilar trouxe visibilidade a uma condição dermatológica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. A doença, crônica e não contagiosa, se manifesta no couro cabeludo com sintomas que vão muito além de uma simples caspa. 

A psoríase é uma doença autoimune que acelera o ciclo de renovação das células da pele, resultando no acúmulo de células mortas que formam placas visíveis. Estima-se que ela afete cerca de 125 milhões de pessoas globalmente, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

Sintomas: mais que uma coceira 

A psoríase capilar apresenta um conjunto de sintomas característicos, que a diferenciam de outras condições como a dermatite seborreica (caspa). Os principais sinais incluem: 

  • Coceira intensa e sensação de queimação no couro cabeludo. 
  • Lesões avermelhadas na pele da cabeça. 
  • Descamação com a formação de escamas espessas e esbranquiçadas ou prateadas. 
  • Possível queda de cabelo, que pode ser temporária ou, em casos mais graves e com manipulação das lesões, permanente. 

O médico dermatologista Dr. Danilo Talarico explica que um diferencial importante é que as placas da psoríase “não respeitam a delimitação dos cabelos”, podendo se estender para a pele, especialmente na nuca. Essas placas costumam coçar bastante, a ponto de poderem sangrar levemente, causando dor e ardência. 

Causas e gatilhos 

As causas exatas da psoríase ainda não são completamente esclarecidas, mas sabe-se que sua origem é multifatorial. A genética tem um peso significativo, com histórico familiar presente em 30% a 40% dos casos 

Além disso, fatores como estresse elevado, ansiedade, sensibilidade ao glúten e baixa imunidade estão frequentemente associados ao surgimento ou agravamento das crises. 

Tratamento e controle 

O tratamento da psoríase capilar é personalizado, dependendo do tipo e da gravidade da condição. Geralmente, ele é dividido em duas fases: controle das lesões ativas e manutenção da pele. 

  • Tratamento Tópico: A primeira linha geralmente envolve o uso de shampoos medicinais específicos, prescritos por um dermatologista. Esses produtos podem conter ativos como corticoides, anti-inflamatórios, vitamina D e ácido salicílico, que ajudam a reduzir a inflamação, a coceira e a descamação. 
  • Tratamentos Sistêmicos: Para casos moderados a graves, o dermatologista pode indicar medicações orais ou injetáveis, que atuam no sistema imunológico para controlar a doença de forma mais ampla. 

É crucial que o paciente não tente remover ou “cutucar” as placas escamosas, pois isso pode levar a sangramentos, infecções, agravar a inflamação e piorar a queda capilar. 

Apesar de ser uma condição crônica, a psoríase capilar pode ser controlada com o diagnóstico correto, acompanhamento médico adequado e tratamentos específicos. Procurar um dermatologista ao identificar os sintomas é o primeiro e mais importante passo para melhorar a qualidade de vida e a saúde do couro cabeludo. 

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