Atividade física: constância é mais importante que performance

fcsilveira

Atividade física: constância é mais importante que performance

Quando alguém fala em atividade física, qual é a primeira imagem que vem à cabeça? 

Uma academia, treino longo e pesado, roupa específica, equipamentos e mensalidades. 

Para muita gente, esse pacote inteiro já parece suficiente para desistir antes mesmo de começar. Mas atividade física não precisa acontecer desse jeito, já que movimentar o corpo também pode fazer parte da rotina que você já tem. 

E, depois de uma perda de peso, encontrar formas de manter o movimento no dia a dia pode ser uma parte importante do cuidado. 

Quando a frase principal é: “não tenho tempo” 

Talvez você não consiga reservar uma hora completa ou mais do dia para treinar. No entanto, mesmo que falte espaço na rotina para encaixar uma atividade extra, isso não significa que todo o movimento precise ficar de fora. 

Caminhar ou pedalar até um compromisso, subir escadas, brincar com as crianças, cuidar do jardim ou fazer tarefas domésticas são exemplos de situações em que o corpo está em movimento. 

É possível começar daí e, aos poucos, progredir para: 

  • 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, o que pode variar entre 20 e 40 minutos por dia. 
  • Ou de 75 a 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa, o que dá cerca de 10 a 20 minutos por dia, de acordo com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Os exercícios podem variar entre caminhada, corrida, treino funcional, natação, bicicleta, dança, lutas marciais e diversos outros. O importante é começar devagar e encontrar prazer em uma atividade que seja viável de inserir na rotina.  

Nem todo movimento se resume à academia 

Treinos de força são importantes para o fortalecimento corporal e ganho de massa magra, ou seja, músculos? Sim. Mas atividade física pode acontecer em casa, na rua, em parques, no trabalho ou em outros espaços disponíveis. 

Uma caminhada no bairro não exige mensalidade. Alongamentos e alguns exercícios de força podem ser feitos em casa, usando materiais que você já tenha.  

Você não precisa escolher uma atividade apenas porque ela é considerada “o treino certo”. 

O mais importante é encontrar uma forma de movimento que faça sentido para você e, se possível, seja orientada por um profissional da educação física para trazer ainda mais segurança.  

Os benefícios vão além da perda de peso 

A atividade física regular está associada a diminuição do risco de doenças cardiovasculares e condições crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Além de contribuir para a saúde muscular e óssea, melhorando a capacidade de realizar atividades corriqueiras, como se sentar e levantar, alcançar objetos no alto ou agachar. 

E os benefícios à saúde mental também entram nessa conta.  

Um estudo publicado na revista médica JAMA Psychiatry, nos Estados Unidos, encontrou associação entre a prática de atividade física e o menor risco de depressão. 

Segundo a pesquisa, adultos que praticam metade do tempo mínimo recomendado de atividade física pela OMS, apresentam um risco 18% menor de desenvolver depressão em comparação com pessoas que não fazem nenhum tipo de exercício. 

Isso não significa que atividade física substitua um tratamento quando necessário, mas mostra que o movimento pode fazer parte de um cuidado mais amplo com a saúde. 

Se a rotina sair do planejado, não se cobre 

Uma semana pode ser mais puxada, pode chover, faltar disposição, o cansaço bater ou surgir compromissos. 

Por isso, talvez seja mais eficaz pensar em como continuar se movimentando de alguma forma do que tentar seguir uma rotina perfeita. 

  • Se não deu para caminhar por 40 minutos, talvez seja possível caminhar por menos tempo. 
  • Se não foi possível fazer o treino planejado, talvez você possa aproveitar outro momento para se movimentar.  

O importante é não transformar um dia diferente em motivo para abandonar o cuidado. 

Treine para se sentir bem, respeite seus limites e encontre formas de manter o corpo em movimento. 

Referências:

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Pearce M, Garcia L, Abbas A, et al. Association Between Physical Activity and Risk of Depression: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Psychiatry. 2022;79(6):550-559. doi:10.1001/jamapsychiatry.2022.0609. 

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Stubbs B, Ma R, Teychenne M, et al. Integrating Physical Activity Into Routine Psychiatric Care: A Review. JAMA Psychiatry. 2026. doi:10.1001/jamapsychiatry.2026.0026. 

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