Mercado de canetas emagrecedoras ganha novos nomes: veja quais são
Bianca Azevedo

O mercado brasileiro de medicamentos injetáveis para emagrecimento está prestes a ficar mais concorrido — e isso é ótimo para o consumidor! A Anvisa aprovou o registro de novos remédios à base de semaglutida sintética, substância que já tornou o Ozempic e o Wegovy conhecidos em todo o país.
Diferentemente do Ozempic, que é fabricado pela dinamarquesa Novo Nordisk, os novos produtos representam a entrada de laboratórios nacionais e importadores no setor — um movimento que tende a aumentar a oferta e, no médio prazo, pressionar os preços para baixo. Conheça, um a um, os novos concorrentes: Owozy, Seemasun, Zempneo, Orsema e Semaclique.
Owozy: a aposta importada
O produto é fabricado pela Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.
A grande inovação do Owozy é a sua estabilidade: após a primeira utilização, a caneta pode ser armazenada por até 42 dias em temperatura ambiente de até 30°C, uma vantagem significativa sobre os concorrentes que exigem refrigeração contínua. Sua previsão de chegada às farmácias é no quarto trimestre de 2026.
Seemasun: a estreia da Sun Farmacêutica no segmento
Registrado pela Sun Farmacêutica do Brasil Ltda., o Seemasun é um dos medicamentos aprovados na leva de 29 de julho de 2026. A Sun Farmacêutica faz parte de um grupo farmacêutico indiano de grande porte e já atua no setor farmacêutico nacional, passando agora a integrar o grupo de fabricantes autorizados a comercializar semaglutida sintética no país.
O medicamento possui concentração de 1,34 mg/mL e será ofertado em cartuchos de 1,5 mL com caneta aplicadora e seis agulhas, e em cartucho de 3 mL com caneta aplicadora e quatro agulhas. Ainda não há previsão oficial de preço ou data de chegada às farmácias.
Zempneo: a força da indústria nacional
O Zempneo é produzido pela Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A., uma das principais indústrias farmacêuticas do Brasil. A Brainfarma é subsidiária do grupo Hypera, que liderou as aprovações com dois registros na mesma leva.
A entrada da Brainfarma nesse mercado reforça a tendência de nacionalização da produção de semaglutida, reduzindo a dependência de importações. Segundo o Ministério da Saúde, o Zempneo tem expectativa de produção nacional após a conclusão da transferência de tecnologia para a empresa brasileira. Essa nacionalização contribui para ampliar a oferta, estimular a concorrência e favorecer a redução dos preços no país.
Orsema: mais uma opção no radar
O registro do Orsema foi concedido à Ranbaxy Farmacêutica Ltda., empresa que integra o mesmo grupo da Sun Farmacêutica. As indicações aprovadas pela Anvisa são para o tratamento de pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e à prática de exercícios físicos.
A chegada do Orsema às farmácias ainda não tem data prevista.
Semaclique: o similar ligado à EMS
O Semaclique é o mais recente da lista, com um histórico de aprovação em duas etapas. Ele teve o registro concedido como medicamento similar em 17 de agosto de 2026 e é fabricado pela Germed Farmacêutica, empresa do mesmo grupo da EMS. Seu produto de referência é o Ozivy, da EMS, que foi a primeira caneta de semaglutida sintética fabricada no Brasil e lançada em junho de 2026. Na prática, a similar do Semaclique é intercambiável com o Ozivy.
A molécula utilizada é a semaglutida sintética, obtida por via química, e não biológica. Pode ser usado em monoterapia, quando a metformina é contraindicada, ou em combinação com outros antidiabéticos. A indicação aprovada restringe-se ao diabetes, mas especialistas apontam que a substância, mesmo em doses menores, pode ter impacto indireto no tratamento da obesidade.
O produto deve ser mantido sob refrigeração, entre 2°C e 8°C, antes e depois do início do tratamento. A validade do medicamento é de 24 meses.
O que isso muda para o consumidor
Com vários nomes novos disputando espaço, a expectativa do setor é de maior oferta e, eventualmente, preços mais competitivos — hoje um dos principais entraves para quem busca o tratamento.
Ainda assim, especialistas alertam que o aumento de opções no mercado não deve ser confundido com liberdade de uso: a indicação segue sendo voltada ao controle do diabetes tipo 2, e qualquer uso, inclusive para emagrecimento, exige avaliação médica, receita em duas vias e acompanhamento profissional contínuo, dados os efeitos colaterais associados à semaglutida.





