
Saúde mental e dinheiro: por que o bem-estar financeiro é essencial
Isabelle Macedo Cabral

Todo mundo já ouviu aquela frase de que dinheiro não compra felicidade. Mas a verdade é que a falta dele – ou o descontrole sobre ele – pode ser um caminho direto para problemas emocionais sérios. Por isso, cuidar das finanças é também cuidar da mente.
O que significa, afinal, ter bem-estar financeiro?
Muita gente pensa que bem-estar financeiro é sinônimo de salário alto. Mas não é bem assim. Uma pessoa pode ganhar bem e ainda assim viver ansiosa em relação ao dinheiro. O verdadeiro bem-estar financeiro acontece quando você se sente no controle, seguro e capaz de arcar com suas responsabilidades financeiras.
Na prática, isso se apoia em quatro pontos principais:
- Saber exatamente para onde vai o seu dinheiro, controlando os gastos do dia a dia
- Ter condições de lidar com despesas inesperadas sem desespero
- Estabelecer metas claras com o dinheiro, como juntar para um bem ou para uma viagem
- Reservar uma parte dos recursos para lazer e prazer, sem culpa
Quando as contas pesam na saúde mental
De acordo com a psicóloga Rejane Sbrissa, especialista em transtornos alimentares, o desequilíbrio financeiro pode desencadear quadros como estresse crônico, ansiedade generalizada, depressão e tristeza profunda.
E o impacto não para por aí. A especialista alerta que as consequências se estendem para os relacionamentos – amorosos, familiares, de amizade e até profissionais. Afinal, poucas decisões financeiras afetam uma única pessoa. Na maioria das vezes, elas envolvem dois ou mais indivíduos. Por isso, ela diz: “tratar de dinheiro é tratar de relacionamentos.”
O perigo da compulsão por compras
Uma pesquisa do SPC Brasil em parceria com a CNDL revelou um dado preocupante: 58% dos entrevistados admitiram que nunca organizam as finanças ou fazem isso apenas de vez em quando.
A desorganização frequente pode ser um sinal de algo mais grave: a compulsão por compras, também chamada de oniomania ou consumismo compulsivo.
Rejane explica que, quando a saúde mental está abalada, a pessoa pode passar a gastar sem necessidade. Com o tempo, vem o endividamento, e com ele a busca por empréstimos e cheque especial. Se esse padrão se repete, entra-se no território da compulsão.
Características desse transtorno:
- Desejo incontrolável de comprar, mesmo sem precisar ou sem ter dinheiro
- Prazer intenso e imediato no momento da compra
- Sentimento de culpa logo em seguida
- Tendência a esconder os gastos de familiares e amigos
Passos práticos para conquistar o equilíbrio financeiro
Alcançar o bem-estar financeiro não acontece da noite para o dia, mas é possível com mudanças consistentes. A psicóloga lista as principais atitudes que ajudam nesse caminho:
Coloque os gastos no papel: use um caderno ou uma planilha digital. Registre tanto as despesas fixas quanto as imprevisíveis. Assim, você enxerga a realidade de frente.
Dê prioridade para quitar dívidas: corte gastos que não são realmente necessários e direcione o que sobrar para eliminar os débitos pendentes.
Mantenha uma perspectiva positiva: estar sem dinheiro não é um estado permanente. Veja como uma fase e comece a pensar em alternativas reais para aumentar sua renda.
Identifique e rompa o ciclo compulsivo: se você percebe que gasta para aliviar emoções negativas, busque outras formas de lidar com esses sentimentos, como conversar com um amigo, praticar exercícios ou procurar terapia.
Aprenda sobre finanças: invista tempo em cursos, leituras ou conteúdos sobre educação financeira. Quanto mais você entende do assunto, menores as chances de repetir os mesmos erros.
Para fechar, a psicóloga reforça: saúde mental e saúde financeira caminham juntas. Uma não alcança sua plenitude sem a outra. Organizar as finanças não é apenas uma questão de números – é um pilar fundamental para a qualidade de vida.
Fonte: Rejane Sbrissa, psicóloga cognitiva e especialista em transtornos alimentares.
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