Escova de dente: guia prático para acertar na escolha

Isabelle Macedo Cabral

Escova de dente: guia prático para acertar na escolha

Com a imensa variedade de escovas de dente nas prateleiras dos supermercados e farmácias, escolher a mais adequada pode parecer uma tarefa complicada. No entanto, alguns critérios simples, baseados na saúde bucal, podem te guiar para a decisão certa. Afinal, uma escova adequada é a primeira linha de defesa contra cáries, gengivite e outros problemas. 

A cirurgiã-dentista Bruna Conde lista quatro pontos fundamentais para observar antes de levar uma escova para casa. 

  1. A maciez das cerdas é prioridade

Ao contrário do que muitos pensam, cerdas mais duras não significam uma limpeza mais eficaz. Na verdade, o risco é justamente o oposto: cerdas rígidas aumentam a abrasão contra os dentes, podendo desgastar o esmalte com o tempo e machucar a gengiva.
Por isso, a principal recomendação da especialista é optar sempre por cerdas macias. Elas são capazes de remover os resíduos de alimentos e a placa bacteriana de forma eficiente, sem agredir os tecidos da boca. 

  1. Quantidade e formato das cerdas

Para a limpeza do dia a dia, escovas com uma grande quantidade de cerdas costumam ser mais eficientes, pois se espalham durante a escovação e conseguem alcançar uma área maior. O formato ideal é o de cerdas niveladas com bordas arredondadas, que limpam bem sem serem pontiagudas ou agressivas. A escolha final, no entanto, também depende da anatomia da boca de cada pessoa. 

  1. Cabeça compacta para melhor alcance

O tamanho da cabeça da escova precisa ser proporcional ao da boca. Uma cabeça compacta ou pequena é geralmente mais eficaz, pois consegue acessar com mais facilidade as regiões mais difíceis, como os dentes do fundo. Se a cabeça for muito grande, a escovação pode ficar comprometida, deixando áreas sem a devida limpeza e aumentando o risco de lesões. 

  1. Necessidades específicas pedem escovas específicas

Crianças, usuários de aparelho ortodôntico e idosos, por exemplo, têm necessidades bucais diferentes e, por isso, requerem escovas especiais. 

  • Crianças: Precisam de escovas infantis, com cabeça ainda menor e cerdas macias, adequadas à anatomia da boca em desenvolvimento. 
  • Aparelho ortodôntico: Quem usa aparelho fixo deve utilizar uma escova ortodôntica, que tem um formato especial (geralmente com um tufo de cerdas em “V”) para limpar ao redor dos braquetes e fios. 
  • Idosos com próteses: Para quem usa próteses ou dentaduras, a limpeza pode exigir escovas com cerdas um pouco mais firmes e design específico. 

A técnica e os aliados da escovação 

Ter a escova certa é o primeiro passo, mas a técnica também faz toda a diferença. A dra. Bruna orienta fazer movimentos sutis, sem forçar as cerdas contra os dentes e a gengiva. A pressão excessiva não limpa melhor e só traz prejuízos. 

Além da escova, o fio dental é um aliado indispensável e deve ser usado antes da escovação para remover os resíduos entre os dentes. O enxaguante bucal pode ser um complemento útil para reduzir a proliferação de bactérias, mas seu uso deve ser orientado por um dentista, que indicará o produto mais adequado para cada caso. 

Quando trocar a escova? 

De nada adianta escolher a escova perfeita se ela for usada por tempo demais. O prazo médio de vida útil de uma escova é de dois a três meses. Fique atento aos sinais de que as cerdas estão esgarçadas, abertas ou desgastadas — essa é a indicação mais clara de que está na hora de aposentá-la. Se você perceber que a escova está machucando sua gengiva durante o uso, também pode ser um sinal de que as cerdas perderam a maciez original e precisam ser substituídas. 

Em caso de dúvidas, a melhor orientação virá de uma consulta com um dentista, que poderá analisar sua saúde bucal e indicar a escova e os produtos ideais para a sua rotina. 

Fonte: Bruna Conde (CRO SP 102.038), cirurgiã-dentista. É membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA) e da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). 

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