Saúde Capilar: O que seus cabelos dizem sobre seu organismo

Isabelle Macedo Cabral

Saúde Capilar: O que seus cabelos dizem sobre seu organismo

Eles podem ser lisos, ondulados, cacheados ou crespos. Longos ou curtos. Coloridos ou naturais. Mais do que um elemento estético, os cabelos são um importante indicador da nossa saúde. Alterações na textura, no brilho ou na densidade capilar frequentemente sinalizam que algo no organismo não vai bem. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 18% das consultas dermatológicas estão relacionadas a problemas capilares. E não é para menos: as causas que afetam a saúde dos fios são múltiplas e vão desde deficiências nutricionais até desequilíbrios hormonais complexos. 

Nesta matéria, você vai entender os principais fatores que influenciam a saúde capilar e aprender a reconhecer quando é necessário buscar ajuda profissional. 

O que é normal e o que é sinal de alerta? 

Em média, uma pessoa possui cerca de 100 mil fios de cabelo e é considerado normal perder entre 100 e 200 fios por dia. Esse processo faz parte do ciclo natural de renovação capilar, chamado de substituição sazonal. 

No entanto, o sinal de alerta não deve ser apenas o número de fios que caem, mas sim a densidade capilar. Fique atenta se você notar: 

  • Fios mais finos que o habitual. 
  • Diminuição do volume total do cabelo. 
  • Aparecimento de áreas mais vazias no couro cabeludo. 
  • Aumento da largura da risca central. 

Um teste simples pode ajudar: o teste de tração. Basta unir uma pequena mecha de cerca de 60 fios e puxar suavemente deslizando os dedos até as pontas. Se saírem mais de seis fios, pode ser sinal de que a queda está acima do normal e vale uma investigação. 

As múltiplas causas da queda e do enfraquecimento capilar 

A queda de cabelo não é um diagnóstico de fator único. Diversos aspectos podem contribuir para o problema: 

  1. Fatores genéticos e hormonais

alopecia androgenética (calvície feminina) é uma condição genética que resulta na perda progressiva dos cabelos. Nas mulheres, ela se manifesta de forma diferente dos homens: ocorre um afinamento difuso dos fios no topo da cabeça, com aumento da largura da risca central, mas geralmente preservando a linha frontal. 

Desequilíbrios hormonais também desempenham papel fundamental: 

  • Síndrome do Ovário Policístico: o excesso de hormônios masculinos pode levar à queda. 
  • Distúrbios da tireoide: tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo afetam o ciclo capilar. 
  • Menopausa: a queda do estrogênio torna os fios mais finos e a queda mais prevalente. 
  • Pós-parto: é comum uma queda acentuada e temporária (eflúvio telógeno) após a gestação. 
  1. Deficiências nutricionais

A carência de nutrientes essenciais está entre as causas mais comuns de queda em mulheres: 

  • Ferro: a anemia ferropriva é uma grande vilã da saúde capilar. 
  • Zinco e cobre: minerais essenciais para a estrutura do fio. 
  • Vitamina B12: fundamental para a oxigenação dos folículos. 
  • Proteínas: o cabelo é composto basicamente por queratina. 

Dietas muito restritivas e radicais podem comprometer a saúde dos fios justamente por provocarem déficits nutricionais. 

  1. Estresse físico e emocional

O estresse crônico eleva os níveis de cortisol, o que pode desencadear ou agravar a queda capilar. Eventos traumáticos como cirurgias, doenças graves (inclusive a Covid-19) ou luto podem provocar o chamado eflúvio telógeno – uma queda temporária e difusa que costuma aparecer de dois a três meses após o evento estressor. 

  1. Doenças autoimunes e inflamatórias

alopecia areata é uma doença inflamatória de causa autoimune, em que o próprio organismo ataca os folículos capilares, provocando falhas circulares. O estresse pode ser um fator desencadeante ou agravante. 

Outras condições como lúpus, líquen plano e psoríase também podem afetar o couro cabeludo. 

  1. Infecções e medicamentos

  • Micoses no couro cabeludo: infecções fúngicas podem causar descamação e queda. 
  • Sífilis: em estágios secundários, pode provocar queda de cabelo. 
  • Medicamentos: alguns remédios para artrite, depressão, problemas cardíacos e pressão alta podem ter a queda como efeito colateral. A quimioterapia é o exemplo mais conhecido. 
  1. Tração e danos físicos

Penteados muito apertados (tranças, rabos de cavalo com tração intensa) e o uso frequente de apliques podem causar a alopecia de tração, que leva à queda por danificar permanentemente o folículo. 

O papel do dermatologista: diagnóstico e tratamento 

Diante de qualquer sinal de queda acentuada ou alteração nos fios, o profissional indicado é o dermatologista, preferencialmente com especialização em tricologia (a ciência que estuda o cabelo). 

O diagnóstico envolve: 

  • Anamnese detalhada: conversa sobre histórico de saúde, medicamentos, alimentação e eventos recentes. 
  • Exame clínico e tricoscopia: exame minucioso do couro cabeludo com aparelho que permite visualizar os fios ampliados. 
  • Exames de sangue: para investigar deficiências nutricionais, hormônios e doenças autoimunes. 
  • Biópsia do couro cabeludo: em casos mais complexos. 

Opções de tratamento 

O tratamento varia conforme a causa diagnosticada: 

Causa Abordagem Terapêutica 
Deficiências nutricionais Suplementação específica (ferro, vitaminas, etc.) 
Disfunções hormonais Medicamentos que atuam no equilíbrio hormonal 
Alopecia androgenética Minoxidil tópico, antiandrogênicos (para mulheres) 
Alopecia areata Imunossupressores, anti-inflamatórios 
Infecções fúngicas Antifúngicos tópicos ou orais 
Processos inflamatórios Corticoides tópicos ou injetáveis 

Técnicas complementares como microagulhamento, laser de baixa intensidade e transplante capilar também podem ser indicadas em casos específicos. 

Mitos e verdades sobre a saúde capilar 

  • Vitaminas e suplementos resolvem qualquer queda? Mito. Suplementos só funcionam quando há deficiência comprovada. Para quem tem exames normais, não há benefício. 
  • Lavar os cabelos todos os dias aumenta a queda? Mito. A queda natural pode parecer maior no momento da lavagem, mas a frequência correta de higiene não causa queda. 
  • Cortar o cabelo estimula o crescimento? Mito. O crescimento ocorre na raiz, não nas pontas. Cortar apenas elimina pontas duplas e melhora a aparência. 
  • Alimentação influencia na saúde dos fios? Verdade. Deficiências nutricionais afetam diretamente a força e o crescimento. 

Conclusão: prevenção e cuidado integral 

A saúde dos cabelos é reflexo do equilíbrio do organismo como um todo. Manter uma alimentação balanceada, gerenciar o estresse, evitar hábitos agressivos e ficar atenta aos sinais do corpo são atitudes fundamentais para preservar fios bonitos e saudáveis. 

Ao perceber mudanças persistentes – seja queda excessiva, afinamento dos fios, coceira ou descamação – não hesite em buscar avaliação dermatológica. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento. 

A Drogasil reforça seu compromisso com a saúde integral, oferecendo informação confiável e produtos para apoiar você em todas as etapas do cuidado com seus cabelos e seu bem-estar. 

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