Março Lilás: tire suas dúvidas sobre câncer do colo do útero, HPV e vacinação

Isabelle Macedo Cabral

Março Lilás: tire suas dúvidas sobre câncer do colo do útero, HPV e vacinação

O terceiro mês do ano é dedicado a uma causa fundamental para a saúde feminina: o Março Lilás. A campanha nacional busca conscientizar a população sobre o câncer do colo do útero, uma doença que, embora seja a terceira mais comum entre mulheres no Brasil, tem um potencial de prevenção altíssimo. 

Apesar dos avanços, ainda circulam muitas dúvidas e desinformação sobre o HPV, a vacina e os exames de rotina. Pensando nisso, preparamos um guia no formato de perguntas e respostas para esclarecer os pontos mais importantes e ajudar você a tomar as melhores decisões para a sua saúde. 

O que é o Março Lilás? 

É uma campanha de conscientização criada pelo Ministério da Saúde para alertar sobre o câncer do colo do útero. O objetivo é informar a população sobre fatores de risco, métodos de prevenção e a importância do diagnóstico precoce por meio de ações educativas e de mobilização. A escolha do mês de março e da cor lilás é uma forma de homenagear a mulher e lembrar a importância do cuidado com a saúde feminina. 

Afinal, o que causa o câncer do colo do útero? 

A causa principal é a infecção persistente por tipos de alto risco do Papilomavírus Humano (HPV). O HPV é um vírus transmitido sexualmente e estima-se que a maioria das pessoas terá contato com ele em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o corpo elimina o vírus naturalmente. Quando isso não acontece, a infecção prolongada pode causar lesões que, anos depois, evoluem para o câncer. 

Quais são os sintomas da doença? 

Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero é silencioso, não apresenta sintomas. Por isso os exames de rotina são tão importantes. Quando a doença está mais avançada, podem aparecer: 

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a relação sexual 
  • Dor durante a relação sexual 
  • Corrimento vaginal com odor forte 
  • Dor pélvica 

Atenção: esses sintomas também podem estar associados a outras condições, mas é fundamental procurar um médico para investigar. 

Como posso me prevenir? 

A prevenção se dá em duas frentes principais: 

  1. Vacinação contra o HPV (prevenção primária): é a forma mais eficaz de evitar a infecção pelos tipos de HPV que causam câncer. 
  2. Exame Papanicolau (prevenção secundária): detecta lesões precursoras antes que virem câncer. 

Além disso, o uso de preservativos reduz o risco de transmissão do HPV, e evitar o tabagismo também é importante, já que o cigarro facilita a persistência da infecção. 

Quem deve tomar a vacina contra o HPV? 

No SUS, a vacina quadrivalente está disponível para meninos e meninas de 9 a 14 anos em dose única. Para pessoas que vivem com HIV, transplantados e vítimas de abuso sexual, há indicações específicas com esquemas diferenciados. 

Na rede privada, a vacina nonavalente (Gardasil 9) é licenciada para pessoas de 9 a 45 anos. Ela protege contra nove tipos do HPV (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), oferecendo uma cobertura mais ampla contra diversos tipos de câncer e verrugas genitais. 

Qual a diferença entre a vacina do SUS e a da rede privada? 

A principal diferença está na quantidade de tipos virais cobertos: 

  • SUS (quadrivalente): protege contra 4 tipos (6, 11, 16 e 18). 
  • Rede privada (nonavalente): protege contra 9 tipos (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), ampliando a proteção contra outros tipos de alto risco oncogênico. 

Na Droga Raia, a vacina nonavalente está disponível para compra e aplicação, com equipe especializada e sem necessidade de prescrição médica para a faixa etária indicada. 

Qual o esquema de doses da vacina nonavalente? 

O esquema depende da idade de início da vacinação: 

  • 9 a 19 anos: duas doses, com intervalo de seis meses. 
  • 20 a 45 anos: três doses (segunda dose dois meses após a primeira; terceira dose seis meses após a primeira). 

Quem já tomou a vacina do SUS pode tomar a nonavalente? 

Sim, é possível complementar. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda que, dependendo da idade e do histórico vacinal, pode-se iniciar o esquema com a vacina nonavalente após um intervalo da última dose da vacina quadrivalente. O ideal é consultar um profissional de saúde para avaliar o melhor esquema para o seu caso. 

Quem tomou a vacina ainda precisa fazer o Papanicolau? 

Sim, absolutamente. A vacina não protege contra todos os tipos de HPV. Por isso, mesmo vacinada, a mulher deve continuar fazendo o exame preventivo regularmente após o início da vida sexual. O Papanicolau é capaz de detectar lesões precursoras, permitindo o tratamento antes que o câncer se desenvolva. 

Como funciona o exame Papanicolau e quem deve fazer? 

O exame coleta células do colo do útero com uma pequena espátula e uma escovinha. O material é enviado para análise laboratorial. É um procedimento rápido, simples e pode causar um leve desconforto, mas é fundamental. 

O Ministério da Saúde recomenda que mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual realizem o exame. O intervalo é a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos com resultado normal. 

Onde encontrar a vacina contra o HPV? 

A vacina do SUS está disponível nas unidades básicas de saúde. Já a vacina nonavalente (Gardasil 9) pode ser encontrada na Droga Raia, disponível para pessoas de 9 a 45 anos. A aplicação é feita por profissionais capacitados, garantindo segurança e comodidade. 

Conclusão: informação que salva vidas 

O Março Lilás nos lembra que o conhecimento é uma ferramenta poderosa. O câncer do colo do útero é uma doença que pode ser prevenida em grande parte dos casos com atitudes simples: vacinação, exames periódicos e hábitos saudáveis. 

Se você tem dúvidas, converse com um médico ou profissional de saúde. Se tem filhas ou filhos na faixa etária indicada, leve para vacinar. Se está na idade do rastreamento, marque sua consulta e faça o preventivo. 

A prevenção começa com cada uma de nós. E a Droga Raia está aqui para apoiar você nessa jornada de cuidado e bem-estar. 

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