Impactos do herpes-zóster na qualidade de vida a neuralgia pós-herpética

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Impactos do herpes-zóster na qualidade de vida a neuralgia pós-herpética

A jornada do envelhecimento, embora carregue a beleza da experiência de bons anos vividos, também tende a ser desafiadora. Isso porque o período pode ser marcado por doenças que causam profunda dor, como é o caso do herpes-zóster, o que prejudica exponencialmente a qualidade de vida do indivíduo.

Só que para começarmos a falar sobre o incômodo trazido pela doença infecciosa, primeiro é preciso entendê-la. Leonardo Bernardes, neurologista especializado em Neuro-Oncologia do Hospital Albert Sabin, explica que o herpes-zóster é consequência de uma primeira contaminação pelo vírus varicela-zóster que resulta na catapora – doença que surge normalmente na infância. 

Isso acontece porque, diferente do que pode ser pensado, o vírus não desaparece completamente do organismo após a pessoa se curar. “Ele fica adormecido, residindo em nervos”, detalha Leonardo. A partir dos 50 anos, a imunidade humana começa a decair e é nesse momento que a pessoa fica mais suscetível a desenvolver o herpes-zóster.

“Quando isso acontece, o vírus da varicela-zóster se manifesta com novas lesões de pele, basicamente vesículas – como se fossem bolinhas d’água – que geralmente seguem o território de um nervo”, esclarece o neurologista. A partir desse momento, o paciente começa a lidar com uma profunda dor, que se compara a que mulheres sentem durante o trabalho de parto.

Impactos do herpes-zóster: um diálogo sobre as consequências da dor

Segundo João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a dor causada pelo herpes-zóster é bastante significativa, principalmente para pessoas que já têm outras condições que afetam nervos. Além de ser intensa, o especialista também lembra que ela é imprevisível.  

“Logo, a dor neuropática pode vir de repente, muito forte, e causar sensações de choque e queimação. Assim, ela pode atrapalhar qualquer atividade que envolva concentração, por exemplo”, detalha o infectologista.

Conforme esse incômodo vai evoluindo, a pessoa começa a ficar impossibilitada de realizar ações básicas do dia a dia. O paciente pode apresentar dificuldade para tomar banho, se vestir, trabalhar, praticar atividades físicas e até mesmo deixar de ter momentos de lazer. 

João explica que o herpes-zóster também pode levar a um quadro de alodinia. Esse é o nome dado para quando ocorre a percepção de um estímulo não nocivo como doloroso pelo nervo. “Nesses casos, até o atrito da roupa pode causar dores constantes no paciente”, exemplifica o infectologista.

O desafio é ainda maior para quem tem neuralgia pós-herpética

Já para os pacientes diagnosticados com neuralgia pós-herpética, essa relação com a dor mostra-se ainda mais delicada. A NPH é tida como uma complicação do herpes-zóster, uma vez que ela remete ao nervo que continua bastante machucado mesmo depois da infecção pelo vírus varicela-zóster ter terminado.

Para intervir nesse quadro, especialistas costumam usar medicamentos voltados ao tratamento de dores de nervos e não antivirais. “Em geral, são remédios que podem ter alguma interação medicamentosa ou causarem efeitos adversos, como sonolência. Portanto, esse manejo precisa ser cuidadoso, além de ser trabalhoso”, enfatiza João.

Nessa jornada de encontrar o medicamento que melhor dialoga com os sintomas do paciente, enquanto ele lida com a dor diariamente, especialistas alertam sobre os prejuízos que a sua saúde mental pode ter. “Não é raro pacientes que têm uma dor crônica, como aqueles que têm NPH, acabem evoluindo com transtornos de humor, depressão e ansiedade”, explica o neurologista Leonardo.

Dessa forma, especialistas podem pensar em uma intervenção multidisciplinar, incluindo psicoterapia, para que o tratamento seja mais efetivo e o paciente possa vir a ter uma qualidade de vida melhor no processo.

Fontes:

  • Dr. Leonardo de Sousa Bernardes, neurologista com especialização em Neuro-Oncologia do Hospital Albert Sabin;
  • Dr. João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Referências:

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