Endometriose e saúde mental: entenda a conexão e saiba como cuidar de si

Isabelle Macedo Cabral

Endometriose e saúde mental: entenda a conexão e saiba como cuidar de si

Março é o mês da campanha “Março Amarelo”, dedicada a conscientizar sobre a endometriose. Embora os sintomas físicos, como a dor pélvica intensa, sejam os mais conhecidos, o impacto dessa condição vai muito além do corpo. Viver com endometriose afeta profundamente a saúde mental, e cuidar da mente é tão essencial quanto tratar os aspectos físicos da doença. 

A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, afetando órgãos como ovários, trompas e intestino. Esse tecido também responde ao ciclo hormonal, inflamando e sangrando a cada menstruação, o que gera dor crônica e outras complicações. 

A relação entre endometriose e saúde mental 

Conviver com dor crônica, incertezas sobre o futuro e, muitas vezes, com o desafio da infertilidade, cria um terreno fértil para o sofrimento emocional. Não é incomum que mulheres com endometriose desenvolvam quadros de ansiedade, depressão e estresse crônico. 

“O impacto vai além da dor física. Muitas pacientes sofrem perdas significativas na vida social e profissional por causa das limitações impostas pela doença. Faltam ao trabalho, cancelam compromissos com amigos e familiares. Com o tempo, essas perdas podem se tornar irreversíveis se não houver um cuidado integral”, explica o ginecologista Dr. Patrick Bellelis, especialista em endometriose. 

Por isso, o cuidado com a endometriose não pode ser apenas ginecológico. Ele precisa ser multidisciplinar, incluindo suporte psicológico e mudanças no estilo de vida. 

Estratégias para aliviar os sintomas e cuidar da mente 

A seguir, o Dr. Patrick lista cuidados fundamentais que ajudam a equilibrar o corpo e a mente de quem convive com a endometriose. 

Movimente-se com consciência 

A prática regular de exercícios físicos é uma grande aliada. Atividades estimulam a produção de endorfinas, neurotransmissores que atuam como analgésicos naturais e promovem sensação de bem-estar. Além disso, ajudam a corrigir problemas posturais que podem agravar a dor pélvica. O ideal é optar por exercícios de baixo impacto, como: 

  • Caminhadas ao ar livre 
  • Natação ou hidroginástica 
  • Ioga ou pilates, que combinam alongamento e relaxamento 

Priorize o sono reparador 

Dormir bem é um pilar da saúde mental. Um sono de qualidade ajuda a regular o humor, reduz o estresse e pode até diminuir a percepção da dor. Para melhorar o descanso, tente: 

  • Manter horários regulares para dormir e acordar 
  • Criar um ambiente escuro, silencioso e confortável no quarto 
  • Evitar telas (celular, TV) pelo menos uma hora antes de deitar 
  • Incorporar um ritual relaxante, como um banho morno ou leitura leve 

Incorpore momentos de relaxamento na rotina 

O estresse é um conhecido agravante dos sintomas da endometriose. Por isso, encontrar maneiras de desacelerar é fundamental. Técnicas como meditação, mindfulness (atenção plena) e exercícios de respiração profunda ajudam a acalmar a mente e reduzir a tensão muscular. Comece com poucos minutos por dia e aumente gradualmente. 

Aposte em uma alimentação anti-inflamatória 

A alimentação pode ser uma poderosa ferramenta para controlar a inflamação no corpo. Uma dieta equilibrada ajuda a modular os hormônios e reduzir o desconforto. Algumas recomendações importantes: 

  • Invista em: alimentos ricos em antioxidantes e com propriedades anti-inflamatórias, como frutas vermelhas, vegetais folhosos, peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha), castanhas e sementes. 
  • Evite ou reduza: álcool, carne vermelha em excesso, gorduras trans (presentes em alimentos ultraprocessados) e glúten, se houver sensibilidade, pois podem amplificar a inflamação e a dor. 

Busque apoio psicológico especializado 

Enfrentar a endometriose é uma jornada emocionalmente desgastante. A terapia com um psicólogo ou psiquiatra oferece um espaço seguro para acolher a dor, elaborar as perdas e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do dia a dia. Grupos de apoio com outras mulheres que vivem a mesma realidade também podem ser extremamente terapêuticos, pois combatem o isolamento e promovem a troca de experiências. 

Mantenha o diálogo aberto com seu médico 

Por fim, lembre-se de que cada caso é único. Manter uma comunicação clara e honesta com seu ginecologista é essencial. Só assim ele poderá ajustar o tratamento às suas necessidades específicas, considerando tanto os sintomas físicos quanto o seu bem-estar emocional. 

Cuidar da endometriose é um ato de amor-próprio que envolve o corpo e a mente. Com informação, uma rede de apoio e acompanhamento adequado, é possível conquistar mais qualidade de vida e bem-estar. 

Fonte: Dr. Patrick Bellelis, ginecologista e Doutor em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP); graduado em medicina pela Faculdade de Medicina do ABC; especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Laparoscopia e Histeroscopia pela Febrasgo. 

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