Fome, vontade e emoção: entendendo diferentes experiências ao comer

fcsilveira

Fome, vontade e emoção: entendendo  diferentes experiências ao comer

Chega aquele momento do dia em que a barriga começa a roncar e você percebe que está na hora de comer. Depois da refeição, a fome passa, mas surge o desejo insistente de comer um doce. 

Também pode acontecer de um dia difícil aumentar a vontade de alguma comida que traz conforto. 

Todas essas experiências fazem parte das relações que temos com a comida. Porém, elas não acontecem necessariamente pelo mesmo motivo. 

Entender algumas dessas diferenças pode ajudar a perceber o que está acontecendo antes de escolher como lidar com cada situação. 

Fome física: quando o corpo sinaliza que precisa de alimento 

A fome física é um sinal biológico do organismo, indicando necessidade de energia.  

Pode aparecer aos poucos e vir acompanhada de sinais como sensação de vazio no estômago, queda de energia ou dificuldade de concentração. 

Nesse caso, comer ajuda a atender uma carência fisiológica do corpo para continuar desempenhando funções básicas.  

A intensidade como a fome aparece pode variar de uma pessoa para outra. Dessa maneira, não existe um único sinal que determina se alguém está com fome. 

Vontade de comer: quando o desejo aparece pelo prazer 

A vontade de comer (ou fome hedônica) é a que surge de repente, é específica para um alimento, não está ligada a sinais físicos de fome e pode continuar mesmo após uma refeição. 

Normalmente, está relacionada ao sistema de recompensa do cérebro e pode acontecer ao ver uma sobremesa, sentir o cheiro de um alimento ou pensar em uma comida que ative a memória afetiva. 

Fome emocional: a relação da comida com os sentimentos 

A fome emocional é similar à vontade de comer, pois, geralmente, é desencadeada por emoções como estresse, ansiedade, felicidade ou tédio. 

Nessas situações, comer pode trazer prazer ou conforto naquele momento. No entanto, essa relação entre emoções e alimentação pode ser complexa e variar bastante entre as pessoas. 

Alterações hormonais causadas pelo estresse, padrões aprendidos desde a infância, restrição alimentar rígida, sono insuficiente, depressão e ansiedade são fatores que aumentam a dificuldade em diferenciar fome física de emoção. 

Em alguns casos, saciar a fome emocional gera um sentimento de culpa, visto que os alimentos escolhidos costumam ser calóricos e com alta concentração de açúcar, sal ou gordura.  

Quando a vontade está relacionada a uma emoção, pode ser útil reconhecer o que você está sentindo. Dependendo da situação, conversar com alguém, descansar ou fazer uma atividade que traga bem-estar também pode ajudar. 

Como perceber o que está acontecendo? 

Não é preciso fazer um teste para descobrir exatamente qual tipo de fome você está sentindo. Algumas perguntas podem ajudar a observar o momento: 

  • Quando foi minha última refeição? 
  • Estou percebendo sinais físicos de fome? 
  • Estou com vontade de um alimento específico? 
  • Essa vontade apareceu depois de alguma situação ou emoção? 
  • O que estou sentindo neste momento? 

O objetivo não é controlar cada desejo ou acertar uma classificação, e sim desenvolver mais atenção aos próprios sinais e encontrar formas de cuidar da alimentação que façam sentido para a sua rotina. 

Isso porque fome, vontade e emoções podem se misturar, e, nem sempre, será possível identificar uma única causa. 

Se comer em resposta às emoções acontece com frequência, causa sofrimento ou parece difícil de manejar, busque apoio de profissionais da nutrição ou psicologia. 

 

Referências 

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